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sábado, 7 de junho de 2014

Políticos baianos com processos na justiça.

As eleições estão se aproximando e muitos dos atuais políticos serão novamente candidatos, alguns para os mesmos cargos, outros para cargos diferentes.
Abaixo segue a lista com os deputados federais e senadores que respondem a algum processo na justiça:


Senado Federal


Lídice da Mata (PSB)  

Câmara dos Deputados



terça-feira, 29 de maio de 2012

Não vi, nem ouvi, mas sei.

Não vi e nem ouvi, o que disse em seu depoimento de 5 horas, o senador Demóstenes Torres.

Mas sei de uma coisa: É tudo mentira.

sábado, 12 de maio de 2012

Demóstenes trabalha (muito, e sem escrúpulos) pela sua absolvição.



Pelas contas do Demóstenes, ele tem hoje 30 votos para sua absolvição.

Ele sabe que com esse número, não seria absolvido, pois precisa de 41, para continuar com suas peripécias no Congresso Nacional.

Mas quem acha que ele está conformado e aceitando a possível cassação, engana-se.

Ele já está trabalhando para alcançar o número mágico e se livrar da degola.

E o trabalho para que isso aconteça, conta com a ajuda, INCLUSIVE, de petistas.


Qual terá sido o "canto da sereia" que seduziu seus pares para trabalho tão sujo?

Seriam ameaças?

Algumas bombas que só o próprio Demóstenes tem?

Tomara que ele não consiga os votos necessários para ser inocentado e, com isso resolva abrir a boca e entregar os outros nadadores das águas da Cachoeira...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Relator usa Demóstenes para moer Demóstenes



Nelson Rodrigues escreveu: “A grande tempestade é a de ópera. A orquestra imitando trovão convence muito mais do que o próprio trovão.” Assim era o senador Demóstenes Torres. Quando trovejava sobre os antagonistas, seus raios que os partam produziam mais estrago do que tempestade genuína.

O velho cronista também anotou: “Nenhum raio assusta mais do que um relâmpago de curto-circuito.” Foi assim, ligando os fios desencapados de um mesmo circuito, que o relator do Conselho de Ética do Senado, Humberto Costa, produziu o clarão definitivo. Uniu o Demóstenes pré-Cachoeira ao Demóstenes pós-Cachoeira.

O relator expôs a falta de decoro do acusado sem lançar mão de um mísero grampo da PF. Tampouco valeu-se de recortes de jornal. Para expor o ex-Demóstenes, Humberto serviu-se apenas da defesa apresentada pelo senador ao Conselho de Ética e dos dados que havia sobre Demóstenes nos anais do Senado.

O Demóstenes do discurso de 6 de março, que negou os vínculos com negócios ilegais de Cachoeira, era um opositor “militante” da jogatina que fez a fortuna de Cachoeira. O ex-Demóstenes dos anais operou a favor do jogo –ora por ação ora por inação. Humberto desencavou um discurso em que o senador acusado defendeu explicitamente a legalização do jogo.

O Demóstenes do pronunciamento alegara que se ligara a Cachoeira por razões familiares e fortuitas. O ex-Demóstenes dos arquivos do Senado farejara com meses de antecedência o escândalo que explodiria, em 2004, a partir da autofilmagem em que Cachoeira registrou o encontro no qual Waldomiro Diniz exigiu-lhe propina.

Perscrutando o papelório da CPI dos Bingos, Humberto verificou que, numa de suas conclusões, a comissão do Fim do Mundo atestara que o vídeo produzido pelo bicheiro em 2002 era usado por ele para chantagear um Waldomiro guindado ao estratégico posto de subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil no alvorecer do primeiro mandato de Lula.

Cachoeira tramava unir-se à Gtech, multinacional que geria as loterias da Caixa Econômica Federal. Como sabia que Waldomiro era dado a receber dinheiro por baixo da mesa, usou-o para traficar influência no governo. Nessa época, Demóstenes valeu-se das prerrogativas de senador para requisitar informações sobre a renovação de um contrato da Caixa com a Gtech.

O país não suspeitava que a equipe do então ministro José Dirceu abrigava um Waldomiro. Mas Demóstenes, à época um senador de primeiro mandato, parecia farejar do nada a encrenca que estava por vir. Quando sobreveio o vídeo que implodiu Waldomiro, o senador posou de pitonisa. Os parceiros de oposição elogiaram-lhe a capacidade de antecipar-se ao escândalo.

Ao unir as pontas do circuito em seu relatório, Humberto fez do talento premonitório de Demóstenes uma evidência de que, já naquela época, o Senado abrigava um ex-Demóstenes.
A pseudopremonição do senador não era senão uma evidência de que o projeto de paladino da ética alimentava-se das informações providas pelo contraventor aético.

Ao recheio dos anais, Humberto juntou as “confissões” da peça de defesa de um ex-Demóstenes insuspeitado. O reconhecimento de que recebeu presentes do amigo tóxico –a geladeira e o fogão importados, o rádio Nextel que se imaginava imune a grampos, o voo de táxi aéreo… Pronto. Estava claro que o ex-Demóstenes mentira ao posar de Demóstenes no discurso em que defendera a honra perante os colegas, ateando neles solidariedades inauditas.

Presente à sessão do curto-circuito, Antonio Carlos de Almeida ‘Kakay’ Castro, o advogado de um hiper desmascarado ex-Demóstenes, teve franqueados os microfones do Conselho de Ética. Viu-se compelido a elogiar a peça do relator. Enxergou no algoz de seu cliente um quase-colega: o senador Humberto é médico, mas daria um ótimo advogado, disse.

Kakay queixou-se das surpresas injetadas no relatório. Disse que 80% do texto de Humberto é feito de matéria prima nova. Novidades que não constavam da acusação original. “Vim preparado para enfrentar uma representação do PSOL, mas o voto aqui apresentado é relativo a outros fatos. O primeiro direito do cidadão é de ser bem acusado, de ter contra si uma acusação precisa, definida e delimitada.”

Kakay pediu novo prazo de cinco dias para refazer a defesa. O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), presidente do Conselho de Ética, deu de ombros. Disse que, uma vez aberto o processo por quebra de decoro, os defensores terão a possibilidade de se reposicionar em cena.

O relatório de Humberto Costa (PT-PE) vai a voto no Conselho na próxima terça (8). Deve ser aprovado. Vai-se, então à fase das inquirições, perícias, diligências e do contraditório. O texto preliminar será adensado pelas evidências que pululam no inquérito que corre no STF. O Senado só não leva o escalpo do ex-Demóstenes à bandeja se não quiser. O relator fez a parte dele. Tirou as meias do acusado sem tirar-lhe os sapatos. Caberá ao plenário submeter o amigo de Cachoeira ao chão frio da desonra.

- Serviço: aqui, a íntegra do relatório de Humberto Costa.

Por Josias de Souza

terça-feira, 1 de maio de 2012

A rede de Cachoeira

Tudo parece tão intrincado que o propósito formal da CPI tornou-se inseparável dos fatos que sobrevieram 

Ministério da Saúde (Anvisa), Ministério dos Transportes, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Ministério da Educação, Ministério da Justiça por meio da Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, governo de Goiás, governo do Distrito Federal (e, possivelmente, mais governos), Receita Federal, Senado, Câmara -eis uma relação, por certo incompleta, dos setores oficiais em que Carlos Cachoeira introduziu ou, em menor número, operava para introduzir extensões da sua rede.

Um organismo espetacular, mais poderoso do que quase todos os partidos políticos.

Mas rede com que finalidade? As empresas legais de Carlos Cachoeira poderiam valer-se de uma ou outra daquelas conexões, em um ou outro momento dado.

Captar contratos para a Delta Construções e seu presidente, Fernando Cavendish, que lhe mereciam tanto interesse, não exigiria conexões tão numerosas e diversificadas.

Suas atividades de contraventor, na exploração de caça-níqueis, estariam muito bem protegidas apenas com os conluios próprios da atividade, no Brasil todo.

O Conselho de Ética do Senado tem o objetivo de examinar a conduta do senador Demóstenes Torres e destiná-lo à cassação ou à permanência na Casa.

Na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, predomina a confusão. Uma corrente pretende circunscrever o inquérito à relação entre o contraventor e os governadores Marconi Perillo e Agnelo Queiroz, de Goiás e do DF.

Outra, quer restringir a investigação às atividades, digamos, empresariais em geral de Cachoeira e à relação que tenham com políticos já expostos. Parte da comissão quer buscar as relações de Cachoeira com a Delta. E por aí vai. Ou não vai.

De uma parte, portanto, está a rede ativa de Carlos Cachoeira nos níveis oficiais mais elevados. De outra, o que está por se saber sobre ela, e ainda não se sabe nem quanto é. Confrontadas uma e outra partes, a conclusão é a de que não há cabimento algum em delimitar a ação da CPI, seja ao que for.

A CPI nem tem o direito de fazê-lo. Tudo parece tão intrincado, que o propósito formal da CPI, para aprová-la, tornou-se inseparável dos fatos e indícios que sobrevieram. São a mesma coisa.

Trata-se de um todo, o país precisa conhecê-lo, e à CPI e à Polícia Federal compete desvendar e expor. Mas não é esta a tendência de grande parte, talvez a maior, dos integrantes da comissão. Muito ao contrário e por diferentes motivos, desde a medíocre proteção do partido até ao risco, senão certeza, de envolvimento nos fatos apuráveis.

O percurso da CPI, pelo visto, depende menos dos seus senadores e deputados do que dos meios de comunicação e da opinião pública.


Por Janio de Freitas

domingo, 29 de abril de 2012

Conselho de Ética vai retirar da peça de defesa de Demóstenes ‘indícios’ de violação do decoro



O Conselho de Ética do Senado vai retirar da defesa apresentada por Demóstenes Torres os “indícios” que vão fundamentar o pedido de abertura de processo contra o senador por quebra do decoro parlamentar.

Entregue há quatro dias, a peça tem 48 páginas. Um dos pontos que servirão de matéria prima para a acusação consta das páginas 29 e 30. Os advogados de Demóstenes reconhecem que o senador recebeu de Carlinhos Cachoeira um rádio Nextel habilitado nos Estados Unidos.

Ao requerer ao STF a abertura de inquérito sobre o caso, o procurador-geral da República Roberto Gurgel fez referência aos Nextel. Cachoeira adquirira 15 aparelhos em Miami. Imaginava que fossem imunes a grampos. Distribuiu-os entre os membros mais destacados da quadrilha.



Demóstenes era um dos integrantes desse seleto ‘clube do Nextel’. De acordo com Gurgel, as conversas entre o senador e Cachoeira “eram frequentes, quase diárias.” Como o aparelho do contraventor estava sob monitoramento, a voz do senador soou nas escutas.

O procurador-geral teve a preocupação de informar ao Supremo que Demóstenes e Cachoeira comunicavam-se por meio do “telefone habilitado no exterior –rádio Nextel—, que integrava um sistema de comunicação fechado de modo a inviabilizar eventual interceptação.”

Exposto no noticiário, o Nextel cedido a Demóstenes foi mencionado na representação formulada pelo PSOL contra o senador. Na defesa entregue ao Conselho de Ética, os advogados admitem: “É fato” que Demóstenes recebeu de Cachoeira “um aparelho celular/rádio da marca Nextel, quando este retornou de uma viagem aos Estados Unidos.”

Alegam que o senador “jamais poderia imaginar o alcance que atualmente a imprensa tem dado a este fato.” Sustentam que Demóstenes desconhecia que Cachoeira havia distribuído 15 rádios do mesmo modelo. Anotam que tampouco sabia que a “habilitação em país estrangeiro teria a finalidade de impedir” que os aparelhos “fossem alvo de monitoramento pela polícia.”

Acrescentam que o senador “recebeu sem questionamentos este rádio/celular para única e exclusivamente ter as facilidades de comunicação que o aparelho oferece, tais como o alcance e a rapidez nas ligações. Apenas e tão somente por esta razão.”

Para a defesa, o fato de Demóstenes ter recebido o Nextel não configura infração. “Não há, em nenhuma hipótese, falta ética, locupletamento de bem público, recebimento de vantagem indevida que pudessem configurar quebra de decoro parlamentar.”

Aos olhos do Conselho de Ética, ao admitir que recebeu e usou o rádio cedido por Cachoeira, Demóstenes contradiz o discurso que proferira em 6 de março na tribuna do Senado. Nesse pronunciamento, o senador dissera que suas relações com Cachoeira limitavam-se aos laços de amizade, sem conexão com negócios ilícitos.

Na defesa ao Conselho, os advogados repisam essa a tese. Se havia “uma organização criminosa” comandada por Cachoeira, “era do mais absoluto desconhecimento do senador Demóstenes.” Os grampos que soam diariamente nas manchetes demonstram o contrário.

Como diz o procurador-geral Roberto Gurgel na petição que levou o STF a abrir inquérito, “fica evidente que os vínculos que unem o senador Demóstenes Torres a Carlos Cachoeira extrapolam em muito os limites éticos exigíveis na atuação parlamentar, adentrando a seara penal.”

Nas palavras de Gurgel, as escutas demonstram que “as tratativas entre eles envolveram os mais variados assuntos e, em todos, há a atuação decisiva do senador Demóstenes Torres em prol dos interesses econômicos de Carlos Cachoeira.”

No texto submetido à análise do Conselho de Ética, os advogados argumentam que o colegiado não pode levar em conta no seu julgamento o teor das conversas recolhidas pela Polícia Federal. Repetem que Demóstenes foi escutado ilegalmente, sem autorização prévia do STF.

Pedem que a análise da representação seja sobrestada até que o Supremo julgue o mérito de uma ação na qual Demóstenes questiona a legalidade das provas. O Conselho dará de ombros para esse pedido. Primeiro por entender que o processo legislativo por quebra de decoro não se confunde com o inquérito judicial.

Segundo porque, na fase atual, o Conselho de Ética não vai julgar Demóstenes. O que está em jogo no momento é a apresentação de indícios que justifiquem a abertura de um processo disciplinar, sujeito ao contraditório que virá na fase seguinte.

Não há, por desnecessário, a intenção de utilizar o conteúdo dos grampos. Até para evitar que uma decisão do Conselho venha a ser contaminada por eventual decisão do Supremo a favor da tese de que as provas são ilegais.

Nas páginas 27 e 28, a defesa de Demóstenes faz referência a um presente de R$ 27 mil recebido por Demóstenes de Cachoeira. Coisa também mencionada na representação do PSOL. Os advogados realçam que o senador confirmara “o recebimento do referido presente de casamento” no discurso de 6 de março.



Nesse ponto, a defesa esforça-se para distanciar Demóstenes da cena. Anota que o presente decorreu “de uma gentileza [...], fruto de uma conversa muito anterior entre Andressa [mulher de Cachoeira, na foto ao lado] e Flávia [mulher de Demóstenes].”

Numa fase em que Andressa “ainda nem era companheira” do contraventor, ela “teria mencionado que gostaria de presentear o casal Torres com tais utensílios domésticos quando viessem a se casar.” Cita-se uma entrevista na qual a mulher de Cachoeira corrobora essa versão.

“Logo, o referido presente de casamento em momento algum constituiu qualquer tipo de vantagem recebida pelo senador Demóstenes, mas sim um presente de casamento prometido por Andressa a Flávia, antes até que a cerimônia viesse a acontecer.”

Aqui, enxerga-se no Conselho de Ética um esforço da defesa para potencializar os vínculos familiares e passar a impressão de que o relacionamento dos Cachoeira com os Torres nasceu das afinidades de Andressa e Flávia, não da junção de interesses dos maridos.

A tese se esvai nas páginas seguintes, nas quais o senador como que admite os laços de intimidade que o uniam ao contraventor ao reconhecer como “fato” o recebimento do rádio Nextel.

Numa tentativa de antecipar-se ao que está por vir, os advogados escrevem: “Mesmo que não houvesse amizade anterior entre Andressa e Flávia e que tal presente [geladeira e fogão] realmente tivesse sido dado pelo empresário Carlos Augusto Ramos ao senador Demóstenes, ainda assim não seria possível vislumbrar hipótese de quebra de decoro por ‘percepção de vantagem indevida’.”

Nas páginas 37 e 38, a peça de defesa tenta negar que Demóstenes tenha solicitado a Cachoeira o pagamento de uma fatura de táxi aéreo de R$ 3 mil. O pedido foi feito num diálogo de 22 de junho de 2009. Valendo-se do noticiário, o PSOL incluiu o fato na sua representação.

Os advogados repisam: o grampo foi “ilegal”, a “prova é ilícita” e não se pode tomar como verdade notícia de jornal. Levanta a “possibilidade” de “supressão” de um trecho da conversa grampeada. A certa altura, a defesa admite: Demóstenes “realmente utilizou em determinadas oportunidades aeronaves cedidas por pessoas próximas.”

Mas, na sequência, afirma, em timbre peremptório: “Não há esse pedido de R$ 3 mil para que fosse efetuado pagamento de aeronave.” De novo, a alegação dos advogados não faz nexo com o conteúdo do documento remetido pelo procurador-geral da República ao STF.

Nas páginas do inquérito, Roberto Gurgel reproduz o diálogo. Fica claro que o senador voava em asas providenciadas pelo contraventor. O pedido de numerário é explícito. Eis a conversa:



- Demóstenes: Fala professor.

- Cachoeira: Eu falei com ele, amanhã cedo ele tá aí pra te pegar, tá, só vai me confirmar aqui agora.

- Demóstenes: É, quem, quem é que o… que horas que ele vem, você sabe?

- Cachoeira: Pode chegar a hora que você quiser, ué. Que hora você quer que ele te pega? Nove horas? Dez horas?

- Demóstenes: Acho que é melhor às dez, aí, porque a gente… fala pra ele fazer o plano de vôo às dez, que esse avião dele chega lá em meia hora, né? A gente já chega e desce direto pra lá.

- Cachoeira: Tá, nove e meia vai tá em Goiânia te esperando. Só vou marcar o local, tá bom? Lá na Voar.

- Demóstenes: Acho que ele desce lá no, lá naquele terminal executivo, viu, qualquer lugar que ele marcar eu tô lá firme. Ah, por falar nisso tem que pagar aquele trem do Voar. Do Voar não, da Sete, né?

- Cachoeira: Tá, tu me fala aí. Eu falo com o, com o Vilnei. Quanto foi lá?

- Demóstenes: Quanto foi? Três mil.

- Cachoeira: Tá, eu passo pro Nilo…

O Conselho de Ética não usará o teor do grampo como prova. Nesta fase de coleta de indícios, considera-se desnecessário. Mas o STF já autorizou o manuseio do inquérito pelos senadores. Significa dizer que, na segunda fase, iniciada a partir da eventual abertura de processo, os dados auxiliarão na formação do juízo do Conselho de Ética.

A defesa de Demóstenes refuta também as outras duas acusações reproduzidas pelo PSOL. Numa, escorada em notícia veiculada no site da CartaCapital, informou-se que Demóstenes receberia 30% de todo o dinheiro amealhado pela quadrilha de Cachoeira.

Os advogados afirmam que se trata-se “calúnia”. Lembram que o dado foi extraído de relatório produzido por um delegado que se encontra preso. E arrolam como testemunha um personagem que negou, em entrevista, informações atribuídas a ele na notícia.

Noutra acusação, baseada em notícia do ‘Globo’, informa-se que Demóstenes repassava “informações privilegiada a Carlinhos Cachoeira, conseguidas em reuniões reservadas que teve com representantes do Executivo, Legislativo e mesmo do Judiciário”. Para a defesa, “a imputação é absolutamente genérica” e não explicita que dados teriam sido informados pelo senador. Coisa “inepta”.

Ainda que o Conselho de Ética opte por desconsiderar a suposta sociedade e o repasse de dados obtidos graças ao prestígio de que desfrutava o senador, avalia-se que a peça de defesa oferece argumentos de sobra para o ataque.

As acusações contra Demóstenes serão debatidas no Conselho em sessão marcada para quinta (3). Nesse dia, será lido o relatório preliminar do senador Humberto Costa (PT-PE). Precavido, o relator vem se esquivando de antecipar sua posição. O relatório será submetido a voto na terça-feira (8) da semana seguinte.

Por Josias de Souza

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Partidos anunciam indicações de 18 dos 32 titulares da CPI do Cachoeira

Partidos com representação no Congresso já anunciaram as indicações de pelo menos 18 dos 32 integrantes da CPI mista criada nesta quinta (19) para investigar as relações de políticos, governantes e empresários com o bicheiro Carlos Augusto Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro, acusado de chefiar um esquema de jogo ilegal.
OS TITULARES DA CPI ANUNCIADOS PELOS PARTIDOS
DEPUTADOS
Nome e estado Partido
Íris de Araújo (GO) PMDB
Luiz Pitiman (DF) PMDB
Carlos Sampaio (SP) PSDB
Fernando Francischini (PR) PSDB
Onix Lorenzoni (RS) DEM
Iracema Portella (PI) PP
Paulo Foletto (ES) PSB
Rubens Bueno (PR) PPS
Protógenes Queiroz (SP) PC do B
Filipe Pereira (RJ) PSC
Miro Teixeira (RJ) PDT
Silvio Costa (PE) PTB
Maurício Quintella Lessa (AL) PR
SENADORES
Nome e estado Partido
Fernando Collor (AL) PTB
Vicentinho Alves (TO) PR
Alvaro Dias (PR) * PSDB
Jayme Campos (MT) * DEM
Cássio Cunha Lima (PB) * PSDB
Aloisio Nunes Ferreira (SP) * PSDB
Jarbas Vasconcelos (PE) * PMDB
Randolfe Rodrigues (AP) * PSOL
* O bloco da minoria no Senado ainda definirá se será titular ou suplente. Dentre seis senadores indicados pelo bloco, três serão titulares e três, suplentes.
Fonte: bancadas dos partidos no Congresso
O prazo oficial para as indicações termina na próxima terça-feira (24), mas muitas legendas já anteciparam os nomes dos indicados. Na terça, haverá nova sessão do Congresso Nacional (que reúne deputados e senadores) para que seja feita a instalação da CPI. Nessa sessão, serão oficializados os nomes dos titulares e suplentes da comissão.
A CPI terá seis meses para investigar os fatos, mas o período pode ser prorrogado. Uma comissão de inquérito tem poderes para pedir quebra de sigilo fiscal e telefônico. Ao final, um relatório sobre a investigação será encaminhado para o Ministério Público Federal, que poderá tomar medidas judiciais cabíveis nas áreas cível ou criminal.
Apesar do requerimento que criou a CPI informar que a comissão terá 15 deputados e 15 senadores (com distribuição proporcional pelas bancadas), o regimento do Congresso Nacional prevê uma vaga extra em cada casa a ser destinada a um partido que não tenha bancada necessária para ter direito a participar da comissão. No Senado, essa vaga será destinada ao PSB. Na Câmara, ao PC do B. Além dos 16 titulares, a CPI terá outros 16 suplentes.
A presidência da comissão caberá a um senador do PMDB, e a relatoria, a um deputado do PT. Os dois cargos são os mais importantes da CPI.
Na Câmara, 13 dos 16 deputados já foram anunciados. Somente o PT não apresentou seus nomes.
"Eu sei os perfis, eu sei os nomes, está tudo na minha cabeça. Só não vou contar para vocês", disse o líder do partido na Câmara, deputado Jilmar Tatto (PT-SP).
Ele pretende usar até o final o prazo dado para as indicações, que termina às 19h30 da próxima terça-feira.
No Senado, apenas duas indicações de titulares foram feitas até agora. O bloco União e Força, formado por PTB, PR e PSC, apresentou os nomes de Fernando Collor (PTB-AL) e Vicentinho Alves (PR-TO). A oposição definiu seis nomes, mas não quais serão titulares ou suplentes: Álvaro Dias (PSDB-PR), Jayme Campos (DEM-MT), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).
As outras vagas no Senado, pertencentes ao bloco de apoio ao governo e à maioria, ainda não têm nomes definidos.

Por Marcelo Parreira e Nathalia Passarinho - G1

Comissão do Senado rejeita reforma administrativa para otimizar gastos

Proposta previa redução de R$ 185 milhões nas despesas anuais; servidores aplaudiram decisão


BRASÍLIA - A reforma administrativa do Senado foi rejeitada nesta quarta-feira, 18, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), tornando inviável o trabalho iniciado há três anos para tornar a Casa mais eficiente e menos sujeita ao apadrinhamento de cargos comissionados e terceirizados.
“O que aconteceu aqui é uma situação irreal”, reagiu o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que presidiu a comissão que elaborou o projeto. A reforma previa redução de até R$ 185 milhões na despesa anual da Casa.
Com um orçamento de R$ 3,3 bilhões em 2011, o Senado é tido como exemplo de péssima gestão administrativa. As despesas se concentram sobretudo no pagamento de pensões e aposentadoria e no salário dos 3.138 servidores efetivos e 3.106 comissionados. O “sepultamento” da reforma foi aplaudido por servidores que estavam na CCJ.
Na sua quinta gestão, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tem apresentado as mudanças na máquina administrativa da Casa como ápice de sua decisão em dar transparência e integridade no comando da instituição. A reforma foi iniciada em 2009, após o Estado divulgar uma série de reportagens sobre o uso de atos secretos para nomeação de parentes e amigos e outros desmandos.
A comissão rejeitou o texto principal, de autoria do senador Benedito de Lira (PMDB-AL), e o voto em separado, apresentado por Ferraço. Os pareceres de Lira e de Ferraço coincidiam ao determinar a redução de 30% nos contratos de terceirização. O parecer de Ferraço avançava mais na redução de servidores comissionados, ao prever o limite de 25 deles nos gabinetes. O número hoje, com o desmembramento de salários, pode chegar a 79 comissionados por senador.
Pelas contas de Ferraço, somados, efetivos e de confiança, a média hoje aponta a existência de 77 servidores para cada um dos 81 senadores. Já o relatório de Benedito de Lira previa o limite de até 55 comissionados por gabinete. Os senadores divergem quanto ao futuro da reforma administrativa.
Benedito de Lira entende que a proposta “está morta”. “Não tem mais reforma, fica tudo como está”, constata. “O Senado não quer essas coisas, tanto que 90% da comissão não veio votar.” Já o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) acredita que caberá à Mesa Diretora dar a palavra final. Ele prevê que, como não é terminativo, o texto terá de ser votado no plenário e com isso sobreviver à decisão dos integrantes da CCJ. “A rejeição tem de ser examinada no plenário”, justifica. Na sua opinião, o resultado da votação na CCJ é “surpreendente e questionável”.

Por Rosa Costa, de O Estado de S. Paulo

AP Comenta

É você trabalhando para sustentar vagabundo exploradores que riem da sua cara.

sábado, 7 de abril de 2012

Rede de contravenção de Cachoeira contava com policiais e delegados da PF

Além de elos com políticos, a organização criminosa comandada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, tinha sob suas ordens dois delegados da Polícia Federal e 30 policiais militares, que vazavam informações privilegiadas e driblavam até a ação da Força Nacional de Segurança, quando atuava na repressão a jogos ilícitos em Goiás e nos arredores de Brasília.

Bicheiro tinha sob suas ordens 30 PMs e dois delegados da PF  - Ed Ferreira/AE - 13/07/2005
Bicheiro tinha sob suas ordens 30 PMs e dois delegados da PF

De acordo com investigações da Operação Monte Carlo, que levou o contraventor - acusado de comandar uma rede de jogos ilegais - à prisão em fevereiro, R$ 200 mil teria sido o valor pago por Carlinhos Cachoeira para contar com os serviços do delegado da Polícia Federal Fernando Antonio Heredia Byron Filho, também preso na operação.

Byron integrava o time de interlocutores de Cachoeira que, como o senador Demóstenes Torres (Sem partido-GO), se comunicava com o contraventor por meio de aparelhos de rádio Nextel habilitados no exterior para tentar escapar de escutas telefônicas. Seu papel era garantir a exploração de máquinas de caça-níqueis, vazar e direcionar investigações, a pedido de Cachoeira, a quem se refere como “guerreiro velho”. O contraventor o chamava de “doutor”.

Apartamento. Em agosto do ano passado, Byron prestou contas de um serviço para o contraventor e aproveitou para pedir um adiantamento de dinheiro para pagar um apartamento. A conversa telefônica foi interceptada pela operação Monte Carlo. A outro delegado da PF preso na operação, Deuselino Valadares dos Santos, o preço pago por Cachoeira foi bem mais alto.

Conhecido na organização como “Neguinho”, Deuselino Valadares foi cooptado quando chefiava a Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da Superintendência da Polícia Federal em Goiânia. Auditores fiscais atestaram enriquecimento do delegado, incompatível com os rendimentos declarados ao Fisco.

Em 2011, ano em que foi afastado do cargo, Deuselino e sua mulher, Luanna Bastos Pires Valadares, teriam comprado à vista uma fazenda no município de Juarina, no Tocantins, por mais de R$ 1 milhão. Luanna também seria sócia de um “laranja” de Cachoeira numa empresa de segurança, a Ideal.

Antes de ser cooptado pelo contraventor, Deuselino assinou relatório de outra investigação, no qual o senador Demóstenes Torres aparecia como destinatário de 30% dos ganhos de Carlinhos Cachoeira.

Segundo reportagem da revista Carta Capital, um último relatório assinado pelo delegado da PF, em maio de 2006, exibia, com detalhes, o esquema do “proprinoduto” de Cachoeira, do qual passaria a fazer parte.

Demóstenes. As ligações do senador Demóstenes Torres com o contraventor voltaram a ser investigadas pela Polícia Federal em 2008, em outra operação de combate ao jogo ilegal, a Las Vegas. As conversas do senador com Carlinhos Cachoeira foram grampeadas na ocasião. O inquérito da PF foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República em 2009, mas o procurador Roberto Gurgel optou por não repassar a informação ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A relação de Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira começara havia anos, quando o senador era secretário de Segurança em Goiás, durante o primeiro mandato do governador Marconi Perillo (PSDB). Isso ocorreu antes de o contraventor aparecer como pivô do primeiro escândalo do governo Lula, a partir da divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, então subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, subordinado ao então ministro José Dirceu, foi flagrado negociando propina com o contraventor no processo de legalização dos jogos.

Teia política. As investigações mostram que Carlinhos Cachoeira mantinha esquema de contatos políticos e com agentes da área de segurança, para garantir prosperidade aos seus negócios. Demóstenes Torres transitou nos dois grupos. Do esquema do contraventor também fariam parte seis delegados da Polícia Civil e 30 policiais militares.

Preso na operação Monte Carlo, o comandante da Polícia Militar de Luziânia (GO), major Uziel Nunes dos Reis, foi um dos que prestaram serviço a Cachoeira. Em agosto do ano passado, o major teria contribuído para evitar o fechamento de bingos clandestinos pela Força Nacional de Segurança. A apreensão de máquinas caça-níqueis no entorno de Brasília abalava a contabilidade do grupo. Uma única casa de jogos clandestina faturava cerca de R$ 1 milhão por mês.


Por Marta Salomon - Estadão

terça-feira, 3 de abril de 2012

Senador Demóstenes Torres pede desfiliação do DEM

O senador Demóstenes Torres (GO) pediu desfiliação do DEM nesta terça-feira (3) em carta enviada à direção do partido. A decisão foi tomada após a legenda anunciar a abertura de um processo disciplinar para apurar se o senador usou seu mandato para favorecer o contraventor Carlos Augusto Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela PF em fevereiro sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal em Goiás. O processo disciplinar poderia levar à expulsão de Demóstenes do partido.

Carta de desfiliação de Demóstenes Torres (Foto: Nathalia Passarinho / G1)
Carta de desfiliação de Demóstenes Torres - clique aqui para ver ampliada (Foto: Nathalia Passarinho /G1)

"Embora discordando frontalmente da afirmação de que eu tenha me desviado reiteradamente do Programa Partidário, mas diante do pré-julgamento público que o partido fez, comunico a minha desfiliação do Democratas", diz carta assinada pelo senador e entregue ao presidente da legenda, senador Agripino Maia (RN) - veja a íntegra da carta.

Com o pedido de desfiliação, o processo que poderia resultar na expulsão do senador do partido perde o sentido.

Mesmo fora da sigla, Demóstenes continua no cargo e ainda pode responder a processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar, o que pode resultar em cassação e, consequentemente, na perda do direito de se eleger. Na semana passada, foi protocolada representação na Comissão de Ética pedindo investigação do envolvimento do parlamentar com Cachoeira.

Após entregar o pedido de desfiliação, a assessoria de Demóstenes afirmou que ele está "abatido", "chateado", mas "confiante" de que conseguirá comprovar a inocência.

O DEM vinha cobrando explicações públicas de Demóstenes. O partido queria que ele apresentasse justificativas ou fizesse um pronunciamento na tribuna do Senado. Mas o senador argumentou que precisa de mais tempo para analisar o inquérito ao qual responderá no Supremo Tribunal Federal.

Por: Nathalia Passarinho - Do G1, em Brasília

domingo, 25 de março de 2012

Comissão para novo Código Penal estuda criar crime de enriquecimento ilícito

Por Ricardo Brito, da Agência Estado

A Comissão de juristas nomeada pelo Senado que elabora mudanças no Código Penal estuda propor a criação do crime de enriquecimento ilícito. A sugestão foi feita na manhã desta sexta-feira, 23, por integrantes do colegiado e de representantes de entidades, que participaram de mais uma audiência pública para formatar um novo anteprojeto de lei sobre o assunto. A inclusão desse tipo penal, porém, não é consensual na comissão.

Veja também:
link Divulgação de calúnia pode ter pena maior

O procurador da República José Robalinho, indicado pela Procuradoria Geral da República, disse que a mudança atenderia tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário para tipificar o crime. Para Robalinho, esse novo delito serviria como uma espécie de "soldado de reserva". Seria usado nos casos em que os crimes de corrupção e desvio de dinheiro público (peculato), por exemplo, não poderia ser usado para criminalizar uma conduta.

"O novo crime vai naquilo que é mais aparente", afirmou Luiz Carlos Gonçalves, relator do anteprojeto de lei e também integrante do Ministério Público Federal na audiência pública realizada no Tribunal Superior do Trabalho. "Está se encaminhando não para ser um código duro, mas sim que tenha eficácia", afirmou o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp, presidente da comissão e favorável à proposta.

O advogado Nabor Bulhões, relator da subcomissão que discute as mudanças nos crimes contra a administração pública, discorda da inclusão do novo tipo penal. Bulhões disse que o País já conta com uma série de leis para criminalizar condutas típicas do enriquecimento ilícito e ainda a Lei de Improbidade Administrativa. Essa norma, de natureza cível, prevê sanções duras na avaliação dele, como perda de direitos políticos e ressarcimento aos cofres públicos.

O relator da subcomissão argumenta ainda que a mudança inverteria o ônus da prova. Na avaliação dele, caberia ao acusado provar, por exemplo, que um carro comprado não foi produto de crime. "A inclusão é inconstitucional", disse Bulhões. Robalinho contesta: "O ônus de provar que determinado bem é produto de crime sempre será do Estado".

Durante o encontro desta manhã, foi apresentado um esboço do capítulo dos crimes contra a administração pública do anteprojeto de lei do Código Penal. Entre as sugestões, está o fim do crime de concussão (extorsão praticada por funcionário público). O delito seria abarcado pelo crime de corrupção passiva.

Outra mudança seria diminuir o intervalo das penas de prisão para o crime de corrupção ativa: de dois a 12 anos para três a oito anos. Para Luiz Carlos Gonçalves, essa última mudança serviria para que a pena venha a ser totalmente cumprida. "Não se há condenação pela pena máxima", afirmou.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

288 no Código Penal é o que mesmo?

 

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Plenário lotado não rima com Senado.

Somente duas das 430 sessões ordinárias reservadas a votação nos últimos quatro anos reuniram todos os 81 senadores: foram aquelas em que o plenário livrou da cassação o ex-presidente da Casa Renan Calheiros (PMDB-AL).

Em toda a legislatura, o Senado só esteve completo nas sessões deliberativas realizadas nos dias 12 de setembro e 4 de dezembro de 2007, quando o plenário derrubou dois pareceres do Conselho de Ética que recomendavam a cassação do peemedebista por quebra de decoro parlamentar.

Nenhuma das reuniões para examinar projetos de lei ou propostas de emenda à Constituição conseguiu reunir todos os três representantes das 27 unidades federativas.

Nenhum senador compareceu a todas as sessões deliberativas.

Os dados fazem parte de levantamento exclusivo feito pelo Congresso em Foco com base em informações oficiais do Senado dos últimos quatro anos.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quem votou em Lídice, pode ter Nestor como Senador

 

Você que votou em Lídice da Matta para Senadora da Bahia, talvez tenha que engolir Nestor Duarte como seu senador.

Tudo depende de Dilma convidar Lídice para algum ministério.

E como sempre, já sabemos o discurso: “É para o bem da Bahia, e tal…”

Você acha isso certo?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Corrida ao Senado – Bahia - CORREÇÃO

 

 

Corrigindo o post anterior, seguem os números corretos da pesquisa Datafolha na corrida sucessória ao Senado pelo estado da Bahia.

César Borges tem realmente 34%, já Lídice (PSB) tem 22%, e não 26%. Walter Pinheiro (PT) tem 18%, e não 20%. José Ronaldo (DEM) tem 9%, e não 7%. Edson Duarte (PV) tem 4% (e não 3%), e França (PSOL) tem 2%, e não 1%.

Sendo assim, é esta a composição:

César Borges - 34%

Lídice (PSB) - 22%

Walter Pinheiro (PT) - 18%

José Ronaldo (DEM) - 9%

Edson Duarte (PV) - 4%

Sampaio (PCB) - 3%

França (PSOL) - 2%

Zilmar Alverita (PSOL) - 2%

Albione (PSTU) - 1%

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Corrida ao Senado - Bahia

 

Pesquisa

A corrida ao Senado pela Bahia apresenta números já esperados.

O atual senador Cesar Borges (PR) com 34% das intenções de voto, lidera a disputa.
Lídice da Mata (PSB) aparece em segundo com 26% e Walter Pinheiro (PT) está em terceiro com 20% das intenções de voto.

Edvaldo Brito (PTB) e José Ronaldo (DEM) aparecem em seguida com 7% cada. José Carlos Aleluia (DEM) tem 6%, enquanto Edson Duarte (PV) e Sampaio (PCB) aparecem com 3% cada. Zilmar Alverita (PSOL) tem 2%. França (PSOL) e Albione (PSTU) aparecem com 1% cada.

Muita coisa ainda pode mudar, pois o percentual de pessoas que declararam voto branco ou nulo foi de 30% dos entrevistados.

A pesquisa foi realizada entre 20 e 23 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

É muita desfaçatez

 

A Mesa Diretora do Senado autorizou nesta quinta-feira (24) o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), a acabar com 500 vagas efetivas que ainda não foram abertas.

Elas seriam ocupadas por aprovados em concurso público e se localizariam, na maior parte, na gráfica do Senado. Outras 500 vagas efetivas ainda aguardam preenchimento.

De acordo com o diretor geral da Casa, Haroldo Tajra,a medida é uma forma de a instituição reduzir custos. O ato que oficializa a extinção das vagas deve ser publicado ainda nesta tarde.

Segundo Tajra, atualmente o Senado conta com 9.500 funcionários. Desses, apenas 3.337 são efetivos.
O restante é ocupado por comissionados e terceirizados.

Contudo, o Senado ainda não tem uma posição sobre como reduzirá o número desses funcionários.

A Mesa Diretora da Casa também aprovou requerimento que autoriza seus membros e os líderes partidários possam remanejar para seus estados dois funcionários de seus gabinetes no Congresso. Dessa forma, a Casa vai arcar com as despesas com passagens aéreas. 

 

PS. Ou seja, quem tem direito, não vai ter emprego. E quem tem padrinho, não precisa se preocupar.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Porque eu não estou espantado - Parte 2

Rejeitadas emendas de Suplicy que obrigavam partidos a divulgar doações na internet
[Foto: senador Eduardo Suplicy (PT-SP)]

Os senadores rejeitaram nesta quarta-feira (15), durante a discussão da proposta reforma eleitoral, duas emendas do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) que tratavam da obrigatoriedade dos partidos de divulgarem na internet as informações referentes às doações recebidas. Rejeitada por 39 votos a 23, a emenda 67 obrigava partidos, coligações e candidatos a disponibilizar na rede, entre os dias 6 e 30 de setembro, relatório com informações completas sobre recursos recebidos e doadores. Já a emenda 68, rejeitada por 41 votos a 16, acabava com a figura do "doador oculto".

- Quanto mais depressa soubermos o que foi doado, saberemos se o que foi gasto condiz com o que foi informado. É um passo importante para o aperfeiçoamento da democracia - disse Suplicy em defesa dos destaques apresentados.

As emendas foram duramente criticadas por alguns senadores da oposição. Os senadores Heráclito Fortes (DEM-PI) e Sérgio Guerra (PSDB-PE) lembraram do episódio que ficou conhecido como o escândalo do "mensalão", quando o partido dos trabalhadores foi acusado de fazer uso do chamado "caixa dois" (recursos não contabilizados) para abastecer suas campanhas eleitorais.

- O grande problema são os recursos que saem das entidades, dos 'aloprados'. Não podemos criar artifícios para inibir a doação legal e gerar um quadro de aparente transparência - disse Sérgio Guerra.

O líder do DEM, José Agripino Maia (RN), observou que a obrigatoriedade de se tornar pública a identidade dos doadores é uma afronta à democracia.

- Quem é governo hoje pode ser oposição amanhã, e vice-versa. Luto para que as doações sejam oficiais - disse.

A senadora Marina Silva (PT-AC), por sua vez, favorável às propostas apresentadas por Suplicy, disse que elas tinham o mérito de permitir ao eleitor verificar se o agente público passaria a guiar seu comportamento de acordo com os interesses de quem financiou sua campanha. Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defendeu a criação de um fundo público de campanha. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) também manifestou apoio às emendas de Suplicy.

Fonte: Agência Senado


PS. Realmente, quando achamos que chegamos ao fundo do poço da falta de moralidade, o Senado vem e mostra que ainda se pode cavar mais um pouco...


Nada está tão ruim que o Senado não possa piorar...


O Senado concluiu, na noite passada, a votação da chamada lei eleitoral. Os senadores votaram pisando em ovos. Dos eleitores.

A lei se divide em três partes. Um pedaço é apenas ruim. Outro naco é um atentado à transparência. Uma terceira porção é inconstitucional.

O miolo do texto já havia sido aprovado na semana passada. Restavam os artigos mais polêmicos. Um deles versava sobre internet.

Tramara-se impor limitações ao cristal líquido. Algo tão inútil quanto encaixotar o vento. Houve gritaria.

Iria a voto emenda de Aloizio Mercadante (PT-SP). Liberava a web. Para não passar por vencido, o relator Azeredo saiu-se com um remendo.

Anota que, na internet, "é livre a manifestação do pensamento”. Veda o anonimato e faculta o direito de resposta.

A coisa foi aprovada sob aplausos. Inclusive de Mercadante, com quem Azeredo negociara previamente o texto.

Se ficasse só nisso, a emenda Azeredo seria apenas chuva no molhado. Liberaria o que, por definição, já é incontrolável. Mas não ficou nisso.

Sob a emenda emplumada do tucano passou uma restrição à web. No quesito “debates eleitorais”, impôs-se à internet o regramento do rádio e da TV.

Ou seja, para realizar debates, os sítios noticiosos serão obrigados a convidar dois terços dos candidatos cujos partidos tenham pelo menos dez deputados.

É vedado o “tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação, sem motivo jornalístico que justifique”. Internet livre? Como diz a bugrada: É ruim, heimm!

Na parte que ofende a transparência, a lei aprovada pelos senadores manteve a chamada “doação oculta”.

Em vez de borrifar verbas nas arcas dos candidatos, os doadores chuviscam a grana na contabilidade dos partidos.

Na triangulação, sonega-se ao eleitor o sacrossanto direito de conhecer o nome do doador. Eduardo Suplicy (PT-SP) enganchou no projeto um par de emendas.

Numa, sugeria que os candidatos divulgassem os nomes de seus financiadores na internet. Ainda durante a campanha, antes do dia do pleito.

Noutra, estendia aos partidos políticos a obrigatoriedade da exposição dos nomes dos doadores na web. Algo que aniquilaria a contribuição oculta.

As emendas de Suplicy foram, obviamente, rechaçadas. Prevaleceu a transparência de cristal cica.

No pedaço inconstitucional, a lei dos senadores trata do problema da substituição de govenadores e prefeitos cassados pela Justiça Eleitoral.

Ficou estabelecido que a substituição dos cassados se dará por meio de eleição direta. Nada de dar posse ao segundo mais votado ou de fazer eleição indireta.

Beleza. O diabo é que a Constituição prevê coisa diversa. Ao tratar da substituição de presidentes e vices cassados, fixa um modelo misto.

Se a cassação ocorre na primeira metade do mandato, convoca-se o povo às urnas. Se acontece nos dois últimos anos de governo, o Congresso indica os substitutos.

A regra da Constituição Federal, por lógica, foi reproduzida país afora, nas constituições estaduais.

Tião Viana (PT-SP) foi ao microfone. Chamou a atenção para a ofensa à Constituição. Demóstenes Torres (DEM-GO) realçou a ilógica:

"Como organizar uma eleição direta se o afastamento do titular ocorrer a poucos meses do término de um governo?” O plenário fez ouvidos moucos.

Mandou-se ao lixo, com a anuência do autor, emenda de Tasso Jereissati (PSDB-CE), que se guiava pela Constituição.

Previa novas eleições apenas nos casos de cassações ocorridas nos dois primeiros anos de governo. Nos dois últimos, eleição indireta.

Resultado: se mantida pela Câmara, para onde segue o projeto, a encrenca será convertida em matéria-prima para a deliberação do STF.

De resto, abriu-se uma avenida para que o TSE, a quem cabe cassar os mandatos, continue legislando sobre a forma de escolha dos substitutos.

Na Câmara, o projeto deve ser votado na semana que vem. Para que as regras vigorem em 2010, precisam ser sancionadas até 2 de outubro.

Na apreciação a ser feita pelos deputados, o que é torto sempre pode ficar mais sinuoso. No Congresso, prevalece a máxima: é errando que se aprende. A errar.

Fonte: Josias de Souza

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Desagravo ao Senador Eduardo Suplicy.


Lemos hoje no blog de Josias de Souza na Folha de São Paulo, que o presidente do PT, Ricardo Berzoini, negou-se a cumprimentar o senador Eduardo Suplicy, deixando este com a mão estendida no ar.

Leia AQUI.

É apenas mais um gesto do que tornou-se o outrora “Partido dos Trabalhadores”.

Eduardo Suplicy é uma das derradeiras bandeiras éticas, não do PT, mas de todo o Congresso Nacional, atrevo-me a dizer, da política brasileira.

Na época em que o PT era a oposição no Brasil, Suplicy era um ícone do partido, por vir de família abastada e lutar verdadeiramente pelas causas sociais.

Com a vitória de Lula em 2002 e a ascensão do partido ao poder, Suplicy passou a ser visto como um “incômodo”.

Tudo aquilo que antes o PT pregava, foi mandado às favas em troca da “governabilidade”.

Suplicy manteve-se, ou melhor, mantém-se firme em suas posições de 30 anos atrás.

O azul continua sendo azul, o vermelho continua sendo vermelho, quem rouba é ladrão e deve pagar por isso.

Mesmo entre os brasileiros que não gostam do PT, raros são os que não gostam de Eduardo Suplicy.

Isto é fato. Basta sair às ruas e perguntar.

São aqueles que como bem disse a senadora Marina Silva, os portadores da utopia.

Senador Eduardo Suplicy, o PT não merece mais Vossa Excelência.

Por mais que digam que um partido é maior que um homem, as pessoas que compõem a direção do PT têm feito de tudo para tornar isso irreal.

E estão conseguindo.

E vendo o fato pela ótica da ética, foi ótimo que Ricardo Berzoini não tenha estendido a mão para cumprimentá-lo, assim Vossa Excelência mantém suas mãos limpas.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A Bahia mal representada no Senado



João Durval (PDT) e Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM) não apareceram para a votação que decidiu pelo arquivamento das denúncias e representações contra José Sarney (PMDB-AP) no Conselho de Ética do Senado.

Ambos os partidos decidiram pelo voto a favor da instauração dos processos.

Mas os senadores baianos preferiram ser omissos.

Eles tinham que votar a favor do partido, mas a con$ciência deles dizia outra coisa.

2010 é logo ali, os eleitores precisam guardar estas situações em suas mentes para poder votar em seus legítimos representantes.