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domingo, 17 de junho de 2012

Florestan Fernandes, atualíssimo

Florestan Fernandes. Foto: Luis Dantas

“Não se iluda, eles (petistas) não são de esquerda; são sindicalistas querendo melhorar de vida”.

Prof. Florestan Fernandes (1920-1995), Ex-deputado federal pelo PT

sábado, 12 de maio de 2012

Brancaleone


Com o exímio diretor de cena João Santana ocupado em burilar a imagem da presidente Dilma Rousseff à semelhança do gosto popular e Lula temporariamente afastado do papel de catalisador de todas as atenções, o PT ficou desguarnecido.
 
Sem anteparos, desprovido de figurinos elegantes e de roteiro adaptado, deixou de lado o modelo moderado. Joga como veio ao mundo e, explícito, tem feito uma bobagem atrás da outra.

Rui Falcão na presidência do partido é apontado como o responsável pelos trabalhos, no bastidor, reconhecidamente atrapalhados. Não deixa de ser uma injustiça, por meia verdade.

Não foi (só) ele quem andou espalhando que a ideia de montar uma CPI a partir da Operação Monte Carlo teve origem no intuito do ex-presidente Lula de se vingar de adversários envolvidos nas denúncias e socializar prejuízos políticos decorrentes do julgamento do mensalão.

Foram parlamentares e ministros do partido. Emergiu desses personagens também a versão de que a revista Veja seria "sócia" do esquema criminoso de Carlos Augusto Ramos, vulgo Cachoeira, na conspiração para derrubar ministros.

Apressados, nem notaram a tolice: Dilma os demitiu. Então, se maquinação houve, a presidente esteve a ela associada.

Rui Falcão assume as operações atabalhoadas um pouco depois, quando faz convocação pública à "sociedade e movimentos sociais" no apoio à CPI para "desmascarar" os autores da "farsa do mensalão".

Entre os quais não se incluíam José Dirceu e companhia, que levaram a imagem do PT à lama, mas a imprensa, parlamentares que atuaram na CPI dos Correios e ministros do Supremo Tribunal Federal cujos votos foram especialmente rigorosos na aceitação da denúncia.

Aquilo que era para ser executado na sombra veio à luz. 

Não satisfeito, Falcão fez-se porta-voz do propósito de se aproveitar do momento para "enfrentar o poder da mídia que contrasta com nosso governo desde a subida de Lula". 

Isso era dito aos sussurros por petistas que asseguravam ter o apoio de parlamentares de outros partidos "loucos para pegar a Veja".

Agora, a pressão sobre o procurador Roberto Gurgel que era apenas insinuada, gestada nos atos dos integrantes da CPI, tornou-se explícita porque Gurgel reagiu apontando claramente a existência de uma ofensiva urdida por quem deve e por isso teme: os réus do mensalão.

Ficou tudo às claras, restando aos feiticeiros buscarem a cada lance um jeito de não ser atingidos pelos efeitos do feitiço.

Indisposição. 


Um detalhe na pesquisa Ibope sobre a Prefeitura de São Paulo chama atenção. Dos 11 candidatos citados, só um não tem índice de rejeição superior ao porcentual de aprovação.

Por ordem de preferência a escala é a seguinte: José Serra tem 31% de votos positivos, mas 35% dizem que não votariam nele de jeito nenhum; Celso Russomanno é exceção, mas quase empata com 16% de aceitação e 13% de rejeição; Netinho recebe 8% dos "sim", mas é campeão do "não", com 38%.

Soninha Francine é escolhida por 7% e rejeitada por 17%; Gabriel Chalita tem 6% das preferências e 11% das opiniões negativas; 5% escolhem Paulinho da Força e 18% o repudiam; Fernando Haddad atrai 3% de simpatia e 12% de antipatia.

Os lanternas são Carlos Giannazi, Luiz Flávio D'Urso, com 1% cada, e Levy Fidelix sem nada, zero. No quesito rejeição dos dois primeiros recebem respectivamente 9% e 11% e o último vai a 19%.

Perna curta.  

O pedido - negado pelo ministro relator Joaquim Barbosa - da defesa para desdobrar o processo do mensalão a fim de que 35 dos 38 acusados fossem julgados em tribunal de primeira instância e não do Supremo Tribunal Federal, era clara manobra de procrastinação.

Um dos beneficiados pela volta à estaca zero seria o deputado cassado José Dirceu, justamente o réu que proclama o desejo de ser julgado o mais rápido possível.


Por Dora Kramer

Depoimentos à CPI do Cachoeira desmontam ofensiva de mensaleiros contra a imprensa



Fim da mentira: O delegado da PF Raul Marques (à esq.) em sessão secreta na CPI do Cachoeira: a relação entre o redator-chefe de VEJA e o contraventor era de jornalista e sua fonte de informações 
 
Fim da mentira: O delegado da PF Raul Marques (acima) em sessão secreta na CPI do Cachoeira: a relação entre o redator-chefe de VEJA e o contraventor era de jornalista e sua fonte de informações
 
 
Há vinte anos Pedro Collor deu uma entrevista a VEJA. As revelações originaram um processo que, sete meses mais tarde, obrigou seu irmão, Fernando Collor, a deixar a Presidência da República.

Há sete anos, VEJA flagrou um diretor dos Correios embolsando uma propina. O episódio foi o ponto de partida para a descoberta do escândalo do mensalão, que atingiu em cheio o governo passado e o PT.

Agora, Collor e os mensaleiros se unem contra a imprensa num mesmo front, a CPI do Cachoeira.

Criada com o nobre e necessário propósito de investigar os tentáculos de uma organização criminosa comandada pelo contraventor Carlos Cachoeira, ela seria usada, de acordo com o roteiro traçado pelo ex-presidente Lula e pelo deputado cassado José Dirceu, como cortina de fumaça para o julgamento do mensalão.

O plano era lançar no descrédito as instituições que contribuíram para revelar, investigar e levar à Justiça os responsáveis pelo maior esquema de corrupção da história do país. Tamanha era a confiança no sucesso da empreitada que o presidente do partido, Rui Falcão, falou publicamente dela e de sua meta principal: atacar os responsáveis pela “farsa do mensalão”. Tudo ia bem – até que os fatos se incumbiram de jogar o projeto petista por terra.

Na semana passada, dois delegados da Polícia Federal prestaram depoimento à CPI do Cachoeira.

Eles foram responsáveis pelas operações Vegas e Monte Carlo, que investigaram a quadrilha do contraventor. A ideia dos radicais petistas e seus aliados era utilizar a fala dos policiais para comprometer o procurador-geral da República, Roberto Gurgel (que defenderá a condenação dos mensaleiros no julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal), o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo (transformado em inimigo figadal de Lula desde que declarou que o ex-presidente tinha conhecimento da existência do esquema) e a imprensa, que revelou o escândalo.

Nesse último setor, como deixou clara a performance do ex-presidente Collor, encarnado na triste figura de office boy do partido que ajudou a tirá-lo do poder, o alvo imediato era o jornalista Policarpo Junior, diretor da sucursal de VEJA em Brasília e um dos redatores-chefes da revista.

O primeiro depoimento foi do delegado Raul Alexandre Marques, que dirigiu a Operação Vegas. Marques disse aos parlamentares que entregou ao procurador Roberto Gurgel, em setembro de 2009, indícios de envolvimento de três parlamentares – incluindo o senador Demóstenes Torres – com a quadrilha de Cachoeira. Gurgel, conforme o delegado, não teria determinado a abertura do inquérito nem dado prosseguimento à apuração.

Foi a deixa para que petistas dissessem que ele tentou impedir o desmantelamento de uma organização criminosa e, por isso, deveria ser convocado para depor na CPI. O procurador-geral da República reagiu. Na seara técnica, disse que não abriu inquérito a fim de permitir a realização da Operação Monte Carlo, que desbaratou o esquema de Cachoeira no início deste ano.

No campo político, foi ainda mais incisivo. “O que nós temos são críticas de pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão”, afirmou. Ao fustigarem o procurador na CPI do Cachoeira e venderem a tese de que ele não mereceria crédito por ter uma atuação política, mensaleiros e aliados levaram procuradores e ministros do STF a sair em sua defesa.

Ataque aos acusadores - Mensaleiros, que têm no petista Vaccarezza o seu porta-voz na CPI, queriam convocar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Ele defenderá a condenação dos réus do processo do mensalão

ATAQUE AOS ACUSADORES – Mensaleiros, que têm no petista Vaccarezza o seu porta-voz na CPI, queriam convocar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Ele defenderá a condenação dos réus do processo do mensalão


Petistas, que chegaram a comemorar o resultado da primeira etapa do plano, agora já não demonstram o mesmo empenho para convocar Gurgel.

Em uma conversa recente, o ex-ministro José Dirceu contou ao seu interlocutor o motivo do recuo. “O efeito foi o contrário do imaginado. A única consequência da CPI foi acelerar o processo do mensalão”, afirmou.

Lula, o idealizador do plano, também já faz leitura semelhante. Para ele, a CPI do Cachoeira “tem de ficar do tamanho que está” – ou seja, limitar-se a investigar Cachoeira e seus tentáculos no Congresso e em governos estaduais.

Da mesma forma, a ofensiva para desqualificar o trabalho da imprensa já não seria uma prioridade. “Não podemos fazer dessa CPI um debate político ou um acerto de contas entre desafetos”, afirmou o deputado Cândido Vaccarezza, do PT de São Paulo, espécie de porta-voz do grupo dos radicais.

A declaração é uma guinada de 180 graus no discurso – guinada essa decidida apenas depois que os fatos, com sua persistente impertinência, se sobrepuseram aos interesses do partido.

Desde a prisão de Cachoeira, a falconaria petista seguiu a tática de disseminar mentiras e omitir uma parte, sempre a mais importante, da verdade.

Para isso, não hesitou nem mesmo em recorrer a fraudes e manipulações nas redes sociais da internet. 

O grupo imputou à equipe de VEJA toda sorte de crimes, os quais, esperava, seriam pontuados pelos delegados da PF. E o que disseram os policiais em depoimentos à CPI?

Que o jornalista Policarpo Junior aparece lateralmente nas interceptações telefônicas sempre no exercício da profissão, apurando e investigando informações, que não cometeu crime nem trocou favores com a quadrilha e que não trocou “mais de 200 ligações com Cachoeira”.

Na Operação Monte Carlo, apenas dois telefonemas aparecem, segundo o delegado Matheus Rodrigues.

Outros ingredientes fizeram a estratégia petista fracassar.

O primeiro foi a dificuldade para encontrar aliados que se dispusessem a levar adiante os propósitos meramente políticos e revanchistas do partido.

Diversas siglas, incluindo o PMDB, se negaram a aderir à trama.

Como disse o senador Aécio Neves, do PSDB de Minas Gerais: “O que está em jogo é a democracia. No momento em que nós tivermos o Ministério Público Federal fragilizado e a imprensa cerceada, teremos a democracia em xeque”.

Houve ainda a firme condução dos trabalhos da CPI pelo relator Odair Cunha (PT-MG), que não se dobrou às pressões de facções do seu partido, e a oposição contundente de Dilma Rousseff à estratégia dos radicais.

A presidente considera que, a continuar na direção em que estava, a CPI poderá virar uma disputa de políticos corruptos contra seus acusadores.

Dilma está irritada com o presidente do PT, Rui Falcão, que vem defendendo publicamente o ataque à imprensa. Na terça-feira, disse a um auxiliar: “Se algum ministro falar algo parecido com o que o Rui vem dizendo, vai para a rua na hora”.


Fotos: Orlando Brito, Bia Parreiras, Claudio Versiani, Roberto Stuckert/Ag. O Globo e Marcos Rosa
O ano em que o presidente caiu: Pedro Collor deu o pontapé inicial e os fatos fizeram o resto: PC Farias recolhia propina de empresários para cobrir os gastos de Collor, como no caso do famoso Fiat Elba; vinte anos depois do processo que o levou a renunciar ao mandato, o ex-presidente (à dir., com a ex-mulher Rosane, a "madame que gastava demais", nas palavras de PC) quer se vingar de quem o investigou

O ANO EM QUE O PRESIDENTE CAIU - Pedro Collor deu o pontapé inicial e os fatos fizeram o resto: PC Farias recolhia propina de empresários para cobrir os gastos de Collor, como no caso do famoso Fiat Elba; vinte anos depois do processo que o levou a renunciar ao mandato, o ex-presidente (Com a ex-mulher Rosane, a “madame que gastava demais”, nas palavras de PC) quer se vingar de quem o investigou

Que forças aparentemente tão antagônicas quanto Collor e os falcões do PT se juntem na CPI com o mesmo e nefasto propósito de desqualificar a imprensa livre pode parecer assustador, mas não deixa de ser também natural. Na política, as convicções balançam facilmente ao sabor das conveniências – para o bem ou para o mal, sendo que a segunda opção é mais frequente.

Já na imprensa livre, os princípios não se sujeitam às circunstâncias. O dever de fiscalizar os governos vale para quaisquer governos.

E, no caso de VEJA, ele foi levado a cabo com o mesmo rigor tanto na gestão lulo-petista quanto na cleptocracia de Collor.

Em 2009, no julgamento que derrubou a Lei de Imprensa, o ministro Carlos Ayres Britto, hoje presidente do STF, usou uma frase de Roberto Civita, presidente do Conselho de Administração do Grupo Abril e editor da revista VEJA, para descrever a natureza da relação entre jornalistas e homens públicos: “Contrariar os que estão no poder é a contrapartida quase inevitável do compromisso com a verdade da imprensa responsável”.

Foi essa parte da imprensa, a responsável, que, diante do ataque perpetrado contra VEJA, ergueu a voz na semana passada na defesa dos princípios basilares do jornalismo.

O jornal O Globo, em um editorial corajoso, criticou o que chamou de “campanha organizada contra a revista VEJA” feita por “blogs e veículos de imprensa chapa-branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT”.

Escreveu O Globo: “A operação tem todas as características de retaliação pelas várias reportagens da revista das quais biografias de figuras estreladas do partido saíram manchadas, e de denúncias de esquemas de corrupção urdidos em Brasília por partidos da base aliada do governo”.

Fiscalizar os atos de governo foi uma função que surgiu praticamente junto com a imprensa. Durante a revolução inglesa, no século XVII, comerciantes e industriais insurgiram- se contra o poder absolutista dos reis.

Defendiam a supremacia das leis em relação à vontade do monarca e o fortalecimento do Parlamento como forma de diminuir a corrupção na corte. Nascia assim o conceito de accountability, ou o dever dos governantes de prestar contas à população. Para divulgarem suas ideias, os insurgentes ingleses usavam papéis impressos em uma máquina inventada dois séculos antes, a prensa tipográfica, que passou a produzir os primeiros jornais.

Ailton de Freitas/ Ag. O Globo, Tasso Marcelo/AE, Beto Barata/AE
Os réus: Jefferson, Dirceu, Delúbio e Valério devem ser julgados em breve pelo STF. A denúncia que deu origem ao processo partiu de VEJA, com prova em vídeo
Os Réus: Jefferson, Dirceu, Delúbio e Valério devem ser julgados em breve pelo STF. A denúncia que deu origem ao processo partiu de VEJA, com prova em vídeo

No que se refere às suas instâncias fiscalizatórias, o Brasil já atingiu um patamar seguro.

É uma situação diferente da que existia no tempo do processo de impeachment de Collor, quando o país vivia uma espécie de “lacuna fiscalizatória”.

A Constituição havia sido promulgada recentemente e o aparato estatal de autodepuração era ainda incipiente.

O Ministério Público, por exemplo, estava assimilando seu novo papel de representante da sociedade, e não do estado, e a Polícia Federal apenas começava a se livrar da poeira autoritária que a recobria.

Mas, ainda que as instituições tenham amadurecido, elas sozinhas não bastam para assegurar a vigilância constante sobre os governos e os homens públicos. Sua natureza as obriga a se mover vagarosamente.

“Por esse motivo, o papel de precursor das denúncias não costuma ser das instituições públicas, mas da imprensa”, diz Alexandre Camanho, presidente da Associação Nacional de Procuradores da República.

O jornalismo brasileiro vem cumprindo com vigor sua missão de revelar os casos de desídia e corrupção na esfera pública.

Nos últimos anos, têm sido inúmeros os registros de parlamentares, prefeitos, governadores e ministros obrigados a deixar o cargo em razão de revelações feitas pela imprensa e comprovadas pelas autoridades.

A imprensa livre não é ideológica.

Não persegue indivíduos nem empreende cruzadas contra partidos ou administrações. Ela se volta, sim, contra os que, no poder, se dedicam à prática de espoliar o bem público, guiados pela presunção da impunidade e pela convicção de estarem acima do bem e do mal.

Se alguma lição pode ser tirada até agora do último escândalo em curso na República, ela pode ser resumida em mais uma frase do ministro Ayres Britto: “À imprensa cabe vigiar o estado – nunca o contrário”.


Por Daniel Pereira, Otavio Cabral e Laura Diniz, da Revista Veja

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Vale-tudo na CPI


Investigação corre perigo de descarrilar ao desviar foco de Cachoeira e Demóstenes Torres para jornalistas e o procurador Roberto Gurgel 

Começou mal a CPI mista para investigar o caso Cachoeira, com a já conhecida aposta na confusão por parte dos setores mais aloprados do Congresso.

O que mais se deveria esperar de uma comissão em que personagens da estatura de um Fernando Collor de Mello e de um Protógenes Queiroz se aliam na tentativa de cercear a imprensa? Doses crescentes de desatino, por certo.

A CPI foi criada para investigar, com os amplos poderes que lhe dá o artigo 58 da Constituição, a comprometedora teia de relações do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de explorar jogos ilegais, com figuras públicas. Por exemplo, com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e os governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF) -além de uma das maiores empreiteiras do país, a Delta, campeã em obras do PAC.

Foi o pretexto para a ala do PT mais afetada pelo processo do mensalão tentar fazer da CPI um antídoto para o julgamento por iniciar-se no Supremo Tribunal Federal. Em seu afã vindicativo, abriu até uma frente de conflito institucional com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

O chefe do Ministério Público Federal ganhou a hostilidade do lulo-petismo por ter pedido a condenação de mensaleiros. De forma maliciosa, com o indisfarçável propósito de intimidá-lo, essa facção o acusa agora de ter protegido Demóstenes ao apontar a insuficiência dos elementos colhidos pela primeira operação da Polícia Federal (Vegas) contra Cachoeira.

O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), parece inclinado a seguir em frente com a ideia extravagante de chamar Gurgel a se explicar perante a comissão. O procurador-geral já deu sinais de que se recusará, em manifestação de independência. É no mínimo duvidoso que o Supremo reconheça entre os poderes da CPI o de forçá-lo a comparecer.

Tampouco surgiu até agora qualquer indício de má conduta que justifique a intimação de jornalistas da revista "Veja" para depor, como almejam setores do PT -que, aliás, não contam com o apoio do Planalto para essa revanche pelos sucessivos escândalos revelados.

Igualmente descabido é o sigilo extremo adotado pelo presidente da CPI e seu relator, deputado Odair Cunha (PT-MG). Não só já se mostrou ineficaz, pois não cessam de vazar os depoimentos supostamente secretos, como ainda contraria o escopo de toda CPI, que é expor ao público fatos e condutas de agentes oficiais sob suspeita.

É comum ouvir que CPIs têm tendência a degenerar em circo. As sessões iniciais sugerem que os piores prognósticos caminham para confirmar-se, e bem cedo.

Por FSP

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Entenda quem são os personagens envolvidos no caso Celso Daniel

Fundador do PT, o ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, foi encontrado morto com oito tiros em uma estrada de Juquitiba, cidade da Região Metropolitana de São Paulo, em 18 de janeiro de 2002. O corpo dele estava desfigurado. A maioria dos tiros foram disparados no rosto.
O inquérito sobre a morte do petista determinou o indiciamento de oito pessoas, além de levantar suspeitas sobre políticos hoje de alta patente da política nacional. Conheça alguns dos personagens principais deste caso, que ganhou repercussão nacional em virtude das suspeitas de corrupção na prefeitura de Santo André.


Sérgio Gomes da Silva
Apelido: Sombra
O empresário é apontado pelo Ministério Público como o suposto mandante da morte de Celso Daniel. No dia do seqüestro do ex-prefeito de Santo André, os dois saíam de uma churrascaria do bairro dos Jardins, zona Sul de São Paulo. Sérgio dirigia a Pajero blindada de Celso Daniel no momento em que foram abordados pelos criminosos que seqüestraram o petista. Em depoimento à Polícia Civil, Gomes conta que perseguiu os criminosos pelas ruas da cidade após o seqüestro. Houve troca de tiros, vários deles atingiram o carro que o empresário dirigia.

Para o Ministério Público, no entanto, a perseguição não passou de uma armação para encobrir o crime. Segundo a promotoria, Gomes seria o responsável pela contratação de Dionísio de Aquino Severo, o líder do bando que seqüestrou o ex-prefeito de Santo André. O empresário e amigo de Celso Daniel teria combinado com os criminosos o caminho que faria naquela noite, informando, inclusive, o calibre das armas que poderiam ser usadas contra o carro sem dano a ele. A promotoria sustenta que o crime teria sido encomendado depois que Celso Daniel ameaçou denunciar o esquema de corrupção que se apoderou da administração pública de Santo André.

De acordo com o MP, Sombra seria o elo de ligação com o esquema de corrupção instaurado na administração da cidade. A tese é negada pela Polícia Civil, que concluiu que o assassinato foi um crime comum. Sérgio Gomes da Silva aguarda o julgamento em liberdade desde 2004.


Dionísio de Aquino Severo
Dionísio era considerado pela Polícia o líder da quadrilha que seqüestrou e matou Celso Daniel. O acusado foi preso em 2002, mas conseguiu fugir do presídio de Guarulhos com a ajuda de um helicóptero, numa fuga considerada cinematográfica. Após ser recapturado em Alagoas, o acusado foi preso no Cadeião de Belém, na Zona Leste, onde foi assassinado dois dias depois da prisão.


O inquérito sobre a morte apontou que o suspeito foi assassinado porque integrava o CRDB (Comando Revolucionário Democrático Brasileiro), facção criminosa adversária do predominante PCC (Primeiro Comando da Capital), que domina os presídios paulistas. Dionísio era apontado pelo Ministério Público como a pessoa que recrutou os vários envolvidos na morte do ex-prefeito, inclusive o suspeito que será julgado nesta quinta-feira. A morte de Dionísio impediu o indiciamento dele.


 












Marcos Roberto Bispo dos Santos
Apelido: Marquinhos
Após ficar oito anos em preso por suspeita da participação no caso, Marcos Roberto Bispo dos Santos, de 37 anos, é apontado pela Promotoria como sendo o motorista de um dos três carros que participaram do seqüestro do ex-prefeito de Santo André. Após a prisão em 2002, ele confessou à polícia participação no crime.
A confissão aconteceu na sede do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), em São Paulo, e está sendo contestada pela defesa. O advogado de defesa alega que o cliente foi vítima de tortura. A Promotoria quer enquadrar o acusado no crime de homicídio triplamente qualificado, cuja pela mínima é de 12 anos e a máxima de 30 anos.



 
Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira
Apelido: Bozinho
Rodolfo também confessou a Polícia Civil ser um dos executores de Celso Daniel. Em juízo, porém, Bozinho mudou a versão e disse que foi torturado pelos policiais e obrigado a confessar um crime que não cometeu. Em 2006, contudo, Oliveira fugiu da penitenciária de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, e só foi recapturado no ano seguinte.
Na versão do MP, ele também é apontado como a pessoa que cercou o carro de Celso Daniel e retirou o ex-prefeito do carro. Ao fugir da penitenciária em 2006, Bozinho também foi acusado de envolvimento na morte do agente de escolta e vigilância penitenciária Genivaldo Lourenço da Silva, baleado durante a ação. Oliveira foi apontado também pelo irmão de ser o autor dos disparos.



José Edson da Silva
Apelido: Zé Edson
Apontado por dois acusados como o mandante dos disparos contra Celso Daniel, José Edson da Silva, o Zé Edson, ficou preso até abril de 2010. Ele também foi arrolado no inquérito da morte do ex-prefeito de Santo André. O juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, da 1º Vara Criminal de Itapecerica da Serra, decidiu que ele e os outros sete acusados irão a júri popular.

Com exceção de Marcos Roberto Bispo dos Santos, todos eles recorrem ao TJ para tentar reverter a decisão do juiz. Por conta das várias etapas em que podem recorrer no TJ, o julgamento deles só deve ocorrer em 2012.






Ivan Rodrigues da Silva
Apelido: Monstro
O inquérito da Polícia Civil de São Paulo que investigou a morte de Celso Daniel apontou que o assassinato do ex-prefeito foi um crime comum praticado por uma quadrilha que atuava na favela Pantanal, em São Paulo. Na versão da polícia, a quadrilha era comandada por Ivan Rodrigues da Silva e Itamar Messias dos Santos. A hipótese levantada é que o crime foi cometido por conta de uma suposta tentativa de seqüestro frustrada.

Após descobrirem a identidade real do ex-prefeito, os criminosos teriam assassinado o ex-prefeito. Em depoimento À CPI dos Bingos, em 2005, “Monstro” afirmou que o ex-prefeito foi seqüestrado por ocupar um carro importado depois da frustrada perseguição a uma Dakota, na mesma noite de 18 de janeiro. Ele aguarda julgamento preso, mas recorreu da decisão do juiz de Itapecerica de Serra de enviar o processo dele a júri popular, protelando a data do julgamento com outros seis acusados pelo crime cometido em janeiro de de 2002.


Elcyd Oliveira Brito
Apelido: John
Segundo o MP, Elcyd seria o autor de uma carta endereçada ao empresário Sérgio Gomes da Silva, o "Sombra", para cobrar o pagamento de R$ 1 milhão pela morte do prefeito. Preso em 2002 pelo crime, Elcyd fugiu do Centro de Progressão Penitenciária de Pacaembu no dia 04 de agosto de 2010 escalando e pulando os dois alambrados que circundavam a penitenciária, junto com outros dois presos. Ele permanece foragido da Justiça.




Itamar Messias Silva dos Santos
Apelido: Olho de Gato
Considerado braço-direito de Monstro, Itamar trabalhava como Office-boy antes de cumprir pena na Cadeia Pública de Diadema até o ano 2000, por furto e porte de drogas. Durante a CPI dos Bingos ele confirmou a tese de crime comum e disse que teria libertado o prefeito de Santo André se soubesse quem ele era.

Laércio dos Santos Nunes
Apelido: Lalo
Com apenas 16 anos na época do crime, Laércio dos Santos Nunes é apontado pela Polícia Civil como um dos autores dos disparos que mataram Celso Daniel. Preso na antiga Febem (hoje Fundação Casa) do Tatuapé na época do crime, ele fugiu da unidade prisional em 2005 e só foi recapturado no ano seguinte, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Após ser preso pela primeira vez, o jovem conhecido como “Lalo” confessou o crime e disse que praticou o ato a mando de José Edson da Silva, um dos líderes do seqüestro, por coação.

Por Rodrigo Rodrigues, iG

‘Celso Daniel foi torturado. Ele sabia demais’, diz promotor do caso ao júri

O promotor Márcio Augusto Friggi de Carvalho pediu nesta quinta-feira a condenação dos três réus pela morte do prefeito Celso Daniel, em 2002, durante julgamento do caso que acontece no Fórum de Itapecirica da Serra. Para Carvalho, José Edson da Silva, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira e Ivan Rodrigues da Silva são responsáveis pelo crime. “A tese de autoria dos réus é irrefutável. Foi a própria investigação que chegou a essa conclusão”, afirmou o promotor durante as duas horas e meia de fala.


 
"Cada um dos réus contribuiu para a morte de Celso Daniel, ainda que um terceiro tenha apertado o gatilho", disse Carvalho. Ele reafirmou os argumentos do Ministério Público de que o crime foi político e de que um sequestro foi forjado para encobrir a real motivação. “ (Celso Daniel) foi torturado. Ele sabia demais”, disse o promotor.


Carvalho disse que o prefeito de Santo André pretendia tomar providências sobre os desvios na prefeitura e já havia confidenciado isso à sua família. Afirmou que Celso Daniel sabia que o dinheiro era desviado, “só não concordava com o desvio para gastos pessoais”. “Naquela época, o contexto era a eleição de um presidente da República que ficou oito anos no poder e cuja campanha foi financiada por aquele esquema”, disse o promotor. Em 2002, ano da vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso ia ser coordenador de campanha.


O promotor também ironizou os argumentos dos réus que disseram ter confessado o crime sob tortura e afirmou que o cruzamento de dados telefônicos contradiz os argumentos dos acusados. Disse ainda que Dionísio de Aquino Severo, apontado como líder do bando que sequestrou o ex-prefeito de Santo André, é quem liga a quadrilha do Pantanal ao ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime.

Depoimento dos réus
Ivan Rodrigues da Silva foi o primeiro a falar. O interrogatório durou menos de meia hora. Ele negou participação no crime e disse que não conhece o ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime, nem Dionísio de Aquino Severo, apontado como líder do bando que sequestrou o ex-prefeito de Santo André. “Eu não matei ninguém. Estão falando desse Sombra e eu não sei nem que é esse senhor”, afirmou Rodrigues da Silva.

O segundo a falar foi José Edson da Silva em interrogatório que durou pouco mais de 15 minutos. Assim como o primeiro, negou conhecer os outros acusados e ter participado do crime. Disse que estava na Bahia quando Celso Daniel foi morto e também disse que não faz parte do PCC (Primeiro Comando da Capital). “Não é verdade, não sei por que sou acusado”, disse Edson da Silva.

Na sua vez, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o terceiro e último réu a falar, também negou envolvimento no crime e disse que não conhece nem Dionísio nem Sombra. Oliveira afirmou, assim como os outros três, que a confissão de crime que faz parte dos autos foi obtida sob tortura.

Dez anos após o crime, apenas um dos acusados foi julgado. Marcos Roberto Bispo dos Santos, que dirigia a Santana durante o sequestro, foi condenado a 18 anos de prisão em 2010.

Por Bruna Carvalho

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Promotoria reafirmará tese de crime político no caso Celso Daniel

O Ministério Público de São Paulo sustentará amanhã a tese de crime político no julgamento de cinco acusados de matar o prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel (PT), assassinado com oito tiros em janeiro de 2002.

De acordo com o promotor Márcio Augusto Friggi de Carvalho, responsável pela acusação, será reafirmada a tese que levou à condenação de Marcos Roberto Bispo dos Santos em 2010. "Não haverá um fato novo."

Justiça julga cinco por morte de Celso Daniel
 
Escolhido para coordenar a campanha do ex-presidente Lula, Celso Daniel foi encontrado morto numa estrada de terra em Juquitiba (a 72 km de São Paulo), após dois dias de sequestro.

O júri de amanhã, em Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), marca mais uma etapa de um duro embate entre o Ministério Público de São Paulo e o PT.

A Promotoria sustenta que o grupo que será julgado sequestrou e matou o prefeito a mando do ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, que responde em liberdade e até hoje não foi a julgamento.

A tese da Promotoria é que Daniel foi morto porque discordou que parte de um dinheiro desviado num esquema de corrupção na prefeitura para financiar campanhas do PT ficasse nas mãos dos envolvidos.

"O prefeito conhecia o esquema e sabia que era desviado para caixa 2 do PT, mas em determinado momento descobriu que parte do dinheiro foi usado para enriquecimento dos participantes, inclusive do Sombra, e aí ele se opôs", disse o promotor.

O PT acusa os promotores de politizarem um caso que, segundo conclusão da polícia, é um crime comum.

A defesa de Gomes da Silva contesta há anos no STF (Supremo Tribunal Federal) o poder de investigação do Ministério Público em casos criminais.

Na noite do sequestro, Gomes da Silva e Daniel voltavam de um restaurante na capital paulista quando o carro foi alvo de uma emboscada.

O julgamento de amanhã deverá durar dois dias. A acusação é de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe ou promessa de recompensa e impossibilidade de defesa da vítima. A pena máxima é de 30 anos.



 Por Daniel Roncaglia e Silvio Navarro

Será que irão acusar a PF de "parceira de crime" do Cachoeira e da Veja??

O PT decidiu investir todas as fichas em transformar a CPI criada para apurar as relações de Carlinhos Cachoeira com autoridades de várias instâncias numa investigação sobre a imprensa. A estratégia, antes discreta, se intensificou após reunião de petistas ontem.
No depoimento secreto do delegado Raul Alexandre Sousa, que conduziu a Operação Vegas, as perguntas de petistas e aliados se concentraram nas ligações de Cachoeira com jornalistas. Sousa disse que, após longa investigação, a Polícia Federal não verificou nada de impróprio nessas relações nem viu razões de indiciar jornalistas ou investigar órgãos de imprensa.
A tropa de choque anti-imprensa na sessão secreta de ontem foi composta pelos senadores Fernando Collor (PTB-AL) e Humberto Costa (PT-PE) e pelos deputados Luiz Sérgio (PT-RJ), Doutor Rosinha (PT-PR) e Protógenes Queiroz (PC do B-SP).

Comento

Se o delegado da PF, responsável pela investigação afirma isso, será que vão acusar a PF de estar em conluio com a Veja e Cachoeira? 


E olhando os nomes da tropa de choque, percebe-se que o porquê do ataque figadal à Veja...


(Não estou defendendo a Veja e seu modus-operandi. Estou defendendo a liberdade de imprensa que ela tem pra tomar partido, assim como a Carta Capital o faz à esquerda).

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Marco regulatório da comunicação deve entrar em pauta, diz Rui Falcão

Depois de deflagrar a cruzada contra o sistema financeiro privado e a cobrança de juros elevados no País, o governo da presidente Dilma Rousseff poderá colocar em discussão o polêmico tema do marco regulatório da comunicação. A informação foi dada nesta sexta-feira, 4, pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, durante discurso em evento sobre estratégia eleitoral do PT nesta campanha municipal, em Embu das Artes, São Paulo.
 

"Este é um governo que tem compromisso com o povo e que tem coragem para peitar um dos maiores conglomerados, dos mais poderosos do País, que é o sistema financeiro e bancário. E se prepara agora para um segundo grande desafio, que iremos nos deparar na campanha eleitoral, que é a apresentação para consulta pública do marco regulatório da comunicação", disse o dirigente petista em seu pronunciamento.

Segundo Falcão, "a mídia é um poder que está conjugado ao sistema bancário e financeiro".

No discurso, ele frisou: "(A mídia) É um poder que contrasta com o nosso governo desde a subida do (ex-presidente) Lula, e não contrasta só com o projeto político e econômico. Contrasta com o atual preconceito, ao fazer uma campanha fundamentalista como foi a campanha contra a companheira Dilma (nas eleições presidenciais de 2010) que saiu dos temas que interessavam ao país para recuar no obscurantismo, na campanha de reforço da direita que hoje está sendo exposta aí, inclusive agora, provavelmente nas próximas duas semanas com a nomeação dos sete nomes da Comissão da Verdade que vai passar a limpo essa chaga histórica que nós vivemos."

E continuou: "(A mídia) produz matérias e comentários não para polarizar o País, mas para atacar o PT e nossas lideranças." "O poder da mídia, esse poder nós temos de enfrentar."

A presidente Dilma Rousseff herdou do governo Lula o anteprojeto de criação do marco regulatório das comunicações, elaborado pelo então ministro da Secretaria de Comunicação Social Franklin Martins, e apresentado durante a Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM), em 2010, determinando "criação de instrumentos de controle público e social" da mídia.

Em razão da polêmica que o tema gerou, Dilma determinou que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, fizesse um pente-fino no texto para evitar tópicos que possam indicar censura ou controle de conteúdo.

Cachoeira. O dirigente petista afirmou que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira deverá ter também como alvo paralelo (de investigação) o trabalho da imprensa.

"Essa CPI vai desvendar também quais são os caminhos de ligação com esses contraventores nos setores da mídia brasileira", disse.

Ao falar das relações entre o contraventor Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), apontadas no vazamento da investigação da Operação Monte Carlo, Falcão criticou: "Esse fariseu, que é o senador Demóstenes Torres, é apresentado pela imprensa como sem partido, mas vamos nos lembrar sempre que até um mês atrás ele era senador do DEM."

Segundo Falcão, a redução no rendimento da poupança, anunciado na quinta-feira, 3, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a declaração da presidente Dilma em rede nacional no feriado do Dia do Trabalho, na última terça-feira, afirmando ser "inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com os juros mais altos do mundo", mostram o estilo do governo.

"É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros
mais sólidos e lucrativos, continue com os juros mais altos do mundo", disse o presidente nacional do PT.

Por Guilherme Waltenberg e Daiene Cardoso, da Agência Estado



AP Comenta

Tudo de mais atrasado em termos de pensamento político, resume-se em Rui Falcão.
Controle total e absoluto do que o cidadão deve ver, ouvir e fazer são as propostas dele, travestidas de "luta pelos direitos do cidadão".

terça-feira, 1 de maio de 2012

As penas alugadas ao petismo e a máquina de demolir reputações

O leitor que se quer bem-informado deve estar atônito com a lama que escorre no entorno da CPI do Cachoeira. A imprensa brasileira — aí compreendidas todas as publicações, nos veículos formais e também na internet — parece ter sido tomada por escribas ora a serviço da quadrilha do bicheiro Cachoeira, ora a serviço da quadrilha do mensaleiro Zé Dirceu.  A disputa nas várias mídias parece ser em torno de quem representa melhor os interesses espúrios das hordas de bandidos que se acercaram do Poder.

O grande esforço da BESTA (Blogosfera Estatal), neste momento, é para comprovar que a Revista Veja, na pessoa de seu editor Policarpo Jr., estava a serviço do submundo da espionagem e à disposição da interface parlamentar da organização, capitaneada pelo ainda senador Demóstenes Torres.

Do outro lado, jornalistas de grandes veículos e blogues a eles vinculados (chamados de PIG pela BESTA) tentam desmontar o jogo de manipulação de colegas regiamente pagos — e isso é inquestionável — pelo dinheiro público para mover uma campanha de desmonte da “velha mídia”, ou do jornalismo formal, como queiram.

Em meio a essa confusão, surgem outros atores, que passam a duelar publicamente, difundindo informações que põe em xeque a lisura das apurações e das intenções de seus contendores. Na contradita, os injuriados do outro lado apresentam argumentos de que seus novos desafetos estão igualmente comprometidos com um ou outro lado do problema. E isso faz com que todos os jornalsitas pareçam iguais aos olhos do público, o que não é verdade.

Vou tratar aqui do caso Policarpo. Há cerca de um mês o editor de Veja em Brasília está sob fogo cerrado. Primeiro, falava-se que ele tinha trocado cerca de 200 telefonemas com os arapongas de Carlinhos Cachoeira. Se não serviu para condená-lo definitivamente, a quantidade de conversas apresentadas o incriminava de maneira contundente. Nada, além de suposições perniciosas, demonstrava que havia algo errado na relação entre o jornalista e suas fontes.

Quando a íntegra do inquérito contra Demóstenes vazou, uma vez mais não havia ali qualquer indício de anomalia nessas relações. O que ficou comprovado, entao, foi que Policarpo recebeu informações dos arapongas de cachoeira e as utilizou em benefício do interesse público. Foi assim com a cena da propina paga a um dirigente dos Correios que despertou a fúria de Roberto Jefferson, e que serviu para desbaratar a quadrilha dos mensaleiros arregimentada por José Dirceu. Foi assim mais tarde, quando se descobriu que o “chefe da quadrilha” havia transformado a suíte de um hotel de Brasília em gabinete do governo paralelo que, sob Lula, o mesmo Dirceu continuava comandando.

A esta altura, sabe-se que os arapongas de Cachoeira comentavam em suas conversas pornográficas os resultados que esperavam advir da publicação do material que haviam fornecido ao jornalista. Isso, nem de longe, leva a qualquer indício de atrelamento entre o repórter e o esquema que os inimigos da liberdade de imprensa pretendem implodir. Apesar disso, a BESTA continua tentando colecionar elementos que possam referendar sua teoria conspiratória com recortes das gravações vazadas do inquérito da PF.

Ao mesmo tempo, o que se pode comprovar é que o lado que ataca o jornalismo formal — ele mesmo composto por jornalistas que perderam espaço da grande imprensa e ocupam hoje posições terciárias em veículos aparelhados pelo pior do petismo — está claramente comprometido com um lado do problema.

E os interesses podem ser vistos a olhos nus, sem a necessidade de lentes ideológicas ou doutrinárias. É o caso notório do chefe da claque da BESTA na internet, Paulo Henrique Amorim, cujo discurso paranoico é financiado por empresas estatais como o Banco do Brasil, a CEF e a PETROBRAS. A respeito disso, o Blog do Pannunzio descobriu que, só em contratos  firmados com a CEF, o governo Tarso Genro e os Correios, Paulo Henrique Amorim se transformou num gênio financeiro da “nova mídia”, com faturamento de quase R$ 1 milhão desde o ano passado. As informações foram confirmadas por fontes oficiais e não houve nenhuma contestação ou desmentido.

O trabalho a que se propõem os arautos do fim do jornalismo, no entanto, não se limita ao ataque institucional. Para demolir a Imprensa, é preciso dinamitar reputações. É a isso que se dedicam com muito afinco os atores secundários do esquema da BESTA nesse dias de conturbação absoluta.
A investida não constitui propriamente uma novidade. O método é o mesmo de 2009, quando a organização que chamo de BESTA criou seu know-how de injuriar em série. A estratégica consiste em repercutir ao máximo “informações reveladoras” que um dos militantes “descobre” invariavelmente na internet, em investigações pífias e cheias de problemas éticos, até que o assunto “denunciado”se transforme em “verdade absoluta” e se transforme em fato político. É sempre assim, não importando se o objeto da denúncia é ou não verdadeiro — ou quiça verossímil.

Uma das primeiras vítimas do esquema dos detratores profissionais da BESTA foi o jornalista Heraldo Pereira. Em maio de 2009, ele ocupou a posição em que hoje está Policarpo Jr. A história vem sendo contanda por este blog desde então. Sinteticamente, Heraldo foi acusado de trabalhar para o então presidente do STF, Gilmar Mendes, que era a quem se pretendia atingir. As “provas”contra ele foram coletadas pelo site Cloaca News, organizadas em formato de reportagem por Luis Carlos Azenha e, na sequência, servir como munição para Paulo Henrique Amorim atacá-lo até a insanidade das injúrias raciais, que já lhe custaram uma indenização de R$ 30 mil e um recalcitrante pedido de desculpas publicado em dois grandes jornais brasileiros.

Para construir a série de injúrias, a BESTA ignorou pressupostos elementares do Código de Ética dos jornalistas, como ouvir o outro lado. Isso apesar de Heraldo ter sido muito próximo de um de seus detratores — foi ele quem indicou Azenha para a Rede Manchete,  onde consolidou sua carreira.

A história é contada pelo próprio Azenha, em julho de 2010, conforme o trecho que reproduzo abaixo:

Um dia, estudante em São Paulo e desempregado, passei pela entrada do Hospital das Clínicas, onde Tancredo Neves estava moribundo, e encontrei o Heraldo Pereira, então repórter da TV Manchete, que me disse que a emissora tinha vaga para repórter (àquela altura eu já tinha quatro anos de experiência em TV, o que incluia longos meses cobrindo férias na Globo de São Paulo, com muitas reportagens em jornais de rede e algumas no Jornal Nacional).
Fui contratado.

Vinte e cinco anos depois, nem a gratidão motivou Azenha a cumprir o dever ético de ouvir o outro lado antes de condenar o colega. Em seu blog, depois de apresentar como verdades as denúncias falsas dos outros blogues coligados à BESTA, Azenha escreveu o seguinte:

“Tendo em vista que Gilmar Mendes teve participação direta e decisiva na polêmica que levou ao afastamento de Paulo Lacerda da ABIN, você considera que Heraldo Pereira deveria ter revelado que é funcionário de Gilmar antes ou depois do comentário que fez a respeito de Lacerda no Jornal da Globo?”

Aí está a soma de mentiras rematadas transformada em verdade absoluta pelos inimigos da imprensa livre. O post sumiu do site de Azenha, mas ainda pode ser lido no webarchive.org.

 O link está aqui.

As aleivosias jamais foram objeto de um desmentido.
Heraldo suportou um período terrível de provações até conseguir a primeira reparação — a sentença que obrigou PHA a se retratar e a indenizá-lo. E ainda aguarda a condenação do editor do Conversa Afiada por crime de racismo, que deve acontecer antes do recesso forense.

Hoje, é Policarpo Jr. quem está no alvo das penas alugadas da BESTA. Contra ele erguem-se suspeitas infundadas construídas sobre falaciosos recortes da investigação. Até agora, no entanto, não há uma evidência sequer de que o editor de Veja tenha oferecido qualquer contrapartida a suas fontes, muito menos que tenha de alguma forma auferido qualquer  tipo de vantagem pessoal a partir das relações com o submundo da espionagem de Cachoeira.

Para quem prometia revelações bombásticas nos “200 telefonemas”, o resultado do frenético CTRL-C/CTRL-V nos inquéritos vazados é pífio. Onde estão os elementos que levam à suposição de que Veja planejava golpear o governo Lula ? Onde estão as provas de que Policarpo era parte do esquema Cachoeira, como muitas vezes a BESTA tem sugerido e afirmado em suas copiosas páginas de aleivosias ?

Simplesmente não há.

Em compensação, repito, há evidências de sobra de que a Blogosfera Estatal acumula privilégios e vantagens no acesso aos cofres da União e seus prepostos. Vantagens checadas e confirmadas por fontes limpas, que não foram nem serão objeto de contestação porque simplesmente não podem ser contestadas. Ao contrário dos sofismas da BESTA, as informações sobre o comprometimento dos escribas a mando de José Dirceu são verdadeiras e cristalinas.

Ao leitor, antes de entrar em desespero com tantas versões antagônicas sobre os mesmos fatos políticos, recomendo que façam uma triagem dessas fontes de informação. Antes de elaborar juízos de valor a partir do que se escreve, é preciso saber quem escreve e com que propósitos escreve.
Só assim será possível separar o joio da imprensa de aluguel do trigo da informação genuína.

Por Fabio Panunnzio


Ator global amigo de Zé Dirceu usa a PF para apagar desafeto no Twitter

Às vezes a grande tarefa de um portal ou de um think tank é comentar notícias. O que sai na “grande mídia” são as investigações, e o que se busca em um portal são opiniões. Quando as notícias não permitem grandes ilações a respeito de um tema, garantam espaço para uma discussão mais aprofundada sobre um recorte da realidade visto sob outras lentes ou dêem ensejo à explicação de uma teoria política, resta-nos um pormenor não menos importante: fazer piadinha.
É um trabalho esfainante e que exige disciplina, mas não deixa de ser divertido. Costuma ser fácil se o objeto de trabalho são petistas. Hoje apareceu uma TÃO fácil que se tornou paradoxalmente impossível. Qualquer piada a ser feita é de menor desequilíbrio com a realidade do que a própria notícia. 

Essa é de Adriana Vandoni, no Prosa e Política:


José de Abreu, ator global e aparador oficial dos países baixos de José Dirceu, anunciou no twitter que usou a Polícia Federal para caçar e banir do twitter um perfil que não compactuava com suas idéias. E que idéias tem o Abreu! Já comentei aqui com vocês que partiu dele, também pelo twitter, uma campanha para tirar a ministra da Cultura Ana de Holanda. Talvez na esperança de ser ele o indicado. Abreu compactua com todos os ideais golpistas da petralhada virtual, só se cala quando falam de seus patrões na Globo.

Sabe como é né? Idealista prá cacete, pero no mucho.

Reparem, abaixo, nas imagens dos twets as ameaças feitas no dia 19 pelo ator: “a PF já tem o endereço dela”. “Todos os tuites dela estão sendo monitorados”. “vc esta identificada (o) e vai ser processada (o) por danos morais e criminalmente. Prepare o bolso”. “Aguarde visita da Policia dentro de alguns dias”.

Só para lembrar, quem usa Polícia e não a Justiça em questões judiciais é fascista. Caso ele queira processar desafeto, é um direito que a democracia lhe reserva, mas usar polícia é fascismo. José de Abreu está usando a polícia como se fosse sua stasi.
No dia seguinte ele conta (imagem abaixo): “consegui tirar a missa copa”. Perguntado como conseguiu: “Polícia Civil e Federal”.

O grande desafeto de José de Abreu é uma moça que já deu a honra da sua presença vez ou outra pelos comentários desse site. 

Infelizmente, seu perfil já foi apagado, mas ficam os préstimos de nosso tributo. 

E o José de Abreu… bem, é um desses homens que curtem uma distribuição de renda, e são famosos por isso. 

Ser famoso costuma render uma boa grana. Um negócio bem interessante no Brasil hoje é ficar famoso defendendo os pobres. 

Não precisa fazer nada, só defender. 

É aquele paradoxo de ser o maior adversário da “mídia golpista”, contrário ao “PiG”, justamente por ter contatos lá dentro, uma coluna num jornal ou outro.

E é bom ser um defensor dos pobres lá de cima, sem precisar vencer o nojo de chegar perto deles. 

Dá até pra dar uma voltinha pela Ilha de Caras por aí. Vejam que maravilha.

Não, vejam mais de perto!



Por Flavio Morgenstern, redator, tradutor e analista de mídia. Só persegue seus desafetos com argumentos, e eles sempre fogem espavoridos. Está profundamente traumatizado com esse texto. Não exatamente com o texto. No Twitter, @flaviomorgen


Essa é antiga. Mas vale a pena recordar.






Indignados com a forte revista feita pela segurança da comitiva de Barack Obama, os ministros Guido Mantega (Fazenda), Edison Lobão (Minas e Energia), Aloizio Mercadante (Ciências e Tecnologia) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) não pensaram duas vezes: abandonaram o encontro da Cúpula Empresarial Brasil-Estados Unidos sem assistir o aguardado discurso do presidente dos EUA.



Segundo fontes ouvidas pelo 'Estado', havia sido firmado um acordo com a Casa Branca para que os ministros não fossem revistados quando chegassem ao local da realização do encontro. Após o almoço oferecido no Itamaraty, os ministros seguiram para o centro de convenções onde era realizado o encontro empresarial.

O acordo firmado com a Casa Branca foi ignorado pelos seguranças que estavam no local. O ministro Aloizio Mercadante reclamou muito, mas acabou passando pela revista junto com seus colegas de ministério. Mantega chegou a comentar que nem em viagens internacionais tinha passado por tal constrangimento.

Quando chegaram ao auditório e viram que o presidente da seção americana do Conselho Empresarial Brasil-EUA, John Faraci, simplesmente subiu ao palco e começou a falar em inglês, o clima que já não estava bom entre os ministros piorou. Sem ter recebido aparelho de tradução simultânea, Mantega, Mercadante, Lobão e Pimentel simplesmente levantaram e foram embora.
Lobão prometeu que iria ligar para seu colega do Itamaraty, Antonio Patriota, para reclamar da quebra do acordo firmado com a Casa Branca. A assessoria de imprensa do Ministério do Desenvolvimento afirmou que Pimentel não assistiu ao discurso de Obama porque teria sido chamado as pressas pela presidente Dilma Rousseff.

Mantega encontrou Obama mais tarde, na recepção de despedida, no Palácio da Alvorada. Mas o ministro foi um dos últimos a chegar e o primeiro a sair, antes mesmo de Obama e família deixarem o palácio.


AP Comenta

Em 2002, na febre antiterrorista dos EUA, o na época chanceler, Celso Lafer, foi obrigado a tirar os sapatos em um aeroporto (todos o fizeram, a segurança não o tratou de forma privilegiada). 
Isso virou um "panfleto" para os petistas, que usavam o episódio para mostrar que, com Lula no poder, o Brasil não passaria por esse tipo de constrangimento. 

E agora que OS PRINCIPAIS MINISTROS DE DILMA foram REVISTADOS EM SOLO BRASILEIRO??

Com a palavra, TODOS os que falavam que o Brasil sob FHC, se rebaixava aos EUA.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Acusado de financiar adversários, presidente da Bahiagás está sob a mira do PT

Presidente da Bahiagás, Davidson Magalhães

A acusação de que foi, nas barbas do governo, um dos articuladores da greve dos professores na rede estadual é apenas mais uma das denúncias feitas por petistas contra o presidente da Bahiagás, Davidson Magalhães, no governo.

No comando de uma empresa poderosa, Davidson é apontado como o “cara” por trás da maior parte das operações de apoio a candidatos do PCdoB em municípios baianos, em alguns casos, de modo frontalmente contrário a candidatura petistas consideradas, além de prioritárias para o partido, viáveis.

Recentemente, chegou às mãos da coordenação política do governo estadual um relatório completo elencando ações da Bahiagás que indicariam favorecimento a candidatos ou a projetos adversários, segundo os petistas.

Até casos de ajuda a veículos de comunicação “amigos” por meio de propaganda teriam sido apontados.

Quem viu o “dossiê”, confeccionado no melhor estilo carlista, não se sabe exatamente por quem, alega que o calhamaço é pesado e deve, com certeza, suscitar medidas enérgicas por parte da administração.

Por Raul Monteiro


AP Comenta

O PT faz e acha normal. Mas não aceita quando é feito para contraria seus interesses.
É o suprassumo do ditado: "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço"

quinta-feira, 19 de abril de 2012

As diferenças entre as CPIs


Manobras do governo na CPI

Vice-presidente da finada CPI dos Bingos, Mozarildo Cavalcanti estava na bancada da sessão que interrogou o bicheiro Carlinhos Cachoeira, em 2005. Oposição ao governo na época, Mozarildo lembra a forma como o governo usava a maioria na comissão para derrubar requerimentos que poderiam causar problemas ao Planalto. Diz Mozarildo:
– Começamos a levantar os negócios do Cachoeira naquela época, mas não fomos adiante porque o governo derrubou todos os requerimentos de quebra de sigilo dos envolvidos.
Para Mozarildo (hoje integrante da base governista), a mesma estratégia utilizada em 2005 poderá ser aplicada agora na CPI mista do Cachoeira. Com uma maioria ainda mais esmagadora, o Planalto poderá lançar mão de todos os instrumentos para aprovar ou rejeitar o que quiser. Há apenas uma ressalva, segundo Mozarildo:
– A diferença da CPI dos Bingos para essa do Cachoeira é que agora tem muita coisa revelada e vai ser difícil encontrar senador para engavetar requerimento diante da opinião pública.

Por Lauro Jardim

domingo, 15 de abril de 2012

"O Nó", a tragédia do cacau como ato de terrorismo

Filme do pesquisador Dílson Araújo traz uma cadeia de documentos mostrando que a vassoura de bruxa não foi apenas introduzida deliberadamente, mas também disseminada. E reacende a ferida da tragédia. Produtores endividados falam em buscar indenização


No início da década passada, andando pela Região Cacaueira na construção da reportagem 'Os órfãos do cacau', da qual já falei, deparei-me com Raymundo Sá Barreto. Com ele, um ponto crucial da história que pretendíamos contar.

Sá Barreto se tornou figura emblemática, no universo que eu escarafunchava, por ser amigo muito próximo de Jorge Amado, tão amigo que anfitrionou, no início dos anos 60, o filósofo francês Jean Paul Sarte e a esposa, a não menos famosa escritora Simone de Beauvoir.

Tabelião, figura conhecida e respeitada, também era pai de Robert Adam Sá Barreto, um dos que se suicidaram no rastro da tragédia da vassoura de bruxa.

Os suicídios eram um ponto chocante naquele oceano de dores e horrores. E a história de Robert particularmente dramática. Ao que me contaram, logo ao tomar conhecimento que a praga estava em sua fazenda, entrou em parafuso bradando para os que o rodeavam: 'Vou me matar, vou me matar!'.

A tentativa de acalmá-lo fracassou, amigos e familiares o levaram ao hospital, onde foi sedado. Assim que o efeito do medicamento passou, ele se atirou da janela do hospital.

Era essa história que eu queria esmiuçar com Sá Barreto. Contei a ele o que tinha ouvido, queria saber o que havia de mentira, de verdade, e obviamente detalhes. Ele parou alguns minutos, refletindo como se estivesse ouvindo contemplando o vazio, olhou para mim e falou, quase em tom de súplica.

- Meu filho, eu poderia lhe fazer um pedido?

- Faça. Se eu puder atender, atenderei.

- Faça a sua reportagem, mas esqueça dessa história dos suicídios. Isso já nos causou tantas dores, tantas amarguras, tantas lágrimas, que relembrá-la é reviver uma coisa triste, muito triste. Você pode nos poupar disso?

Foi minha vez de parar e refletir. Deixar de lado uma parte tão comovente de uma tragédia gigante? Rememorei as velhas lições de jornalismo: em primeiríssimo lugar, sempre o interesse público. E a que servia relatar os suicídios? Mostrar a vastidão da agressão, talvez. Induzir pessoas a novos suicídios, também.

Quando comecei minha trajetória, no Jornal da Bahia, Anísio Félix, o chefe de reportagem, competente e arguto, sempre dizia que jornal não devia publicar suicídios porque estava provado: toda vez que se noticiava fatos tais as estatísticas de suicídios aumentavam. Tudo isso veio à mente.

Virei-me para Sá Barreto decidido:

- Ok, amigo. Está atendido.

Operação Cruzeiro do Sul

Sá Barreto não está mais entre nós para assistir o reavivamento dessa história por outro canal, com agravantes. Dílson Araújo, produtor cultural de Ipiaú, levou dois anos escarafunchando a tragédia da vassoura. Do trabalho resultou o documentário 'O Nó – ato humano deliberado', filme de uma hora e oito minutos de duração que ele produziu a duras penas ao custo de R$ 60 mil, entre ameaças de morte e briga contra a falta de dinheiro.

Nele, não só os suicídios voltam à cena, mas o pior: a vassoura de bruxa não foi obra do acaso e sim um ato deliberado, qualificado como terrorismo biológico. O fungo foi introduzido por volta de 1987, mas não só isso, foi também disseminado no início dos anos 90.

Tudo documentado, acrescido de depoimentos dos atores do cacau ainda vivos e testemunhas oculares dos inúmeros flagrantes de galhos secos amarrados aos troncos dos cacaueiros que na época alguns não ligaram, pensando tratar-se de macumba.

Muito mais que isso, traz também o depoimento de Luiz Henrique Franco Timóteo, itabunense radicado no Rio de Janeiro, por acaso, padrasto do goleiro Bruno, do Flamengo, preso acusado de ter mandado matar Elisa Samúdio, que confessa traquilamente ter sido um dos agentes da disseminação da vassoura, na chamada Operação Cruzeiro do Sul.

A motivação teria sido uma ameaça de fechamento da Ceplac. Espalhando a vassoura, a instituição, seriamente ameaçada de extinção, que com o ato teria uma nova razão de existir.

Conta Dílson:

- Talvez eles não tenham calculado o tamanho do estrago que provocariam.

Queima de arquivo

No caso da vassoura de bruxa, alguns detalhes eram sempre citados para levantar a suspeita. Se o fungo Crinipellis Perniciosa se espalha pelo vento, como ele saltou da fazenda de Chico Lima, em Uruçuca, o local do primeiro foco, para a de Luciano Santana, em Camacã, 90 quilômetros ao sul?

Mais: quem era Chico Lima? O presidente da União Democrática Ruralista, a famosa UDR, na região do cacau.

E quem era Luciano Santana? O maior produtor individual da América do Sul, líder político que tinha sido prefeito e deputado, carlista de quatro costados.

A documentação exibida no filme de Dílson Araújo tem o mérito de botar pé e cabeça nessa história. Especialmente a investigação da Polícia Federal, que não aponta nomes, mas atesta que foi um 'ato humano deliberado'.

No bojo dos documentos aparece o nome de seis pessoas ligadas a Ceplac, entre elas, o de Geraldo Simões, ex-prefeito de Itabuna, hoje deputado federal. Fala-se também de um terceiro foco, em Ibirapitanga, sem especificar a fazenda e nem o proprietário.

Dílson conta que possui documentos da Ceplac que nem a própria Ceplac tem mais. Por quê? Queima (literalmente) de arquivo. Em determinado momento alguém da instituição ordenou que se tocasse fogo em toda a documentação pertinente ao caso. O encarregado da missão teve o cuidado de tirar cópias de grande parte antes de cumprir a ordem. Ele conversou com o dito cujo.

- Ainda é uma história de medo. A grande maioria dos atores, mandantes e vítimas, ainda está viva.

Em síntese, os arquivos vivos também têm medo de serem queimados.

Indenização, a palavra de ordem

Óbvio que a vastidão da tragédia provocada pela vassoura de bruxa nunca foi mensurado e talvez jamais seja. No atacado, atingiu 600 mil hectares de terras em 93 municípios atingindo diretamente três milhões de pessoas.

Provocou uma legião de 250 mil desempregados que passaram a habitar manguezais ao longo da costa sul da Bahia. Jogou na miséria os sem nada e os produtores, a grande maioria deles, ao contrário do que se fala, pequenos.

Hoje, a região do cacau ainda paga, e paga muito alto, o preço da tragédia. A disparada da violência e até a mudança do perfil das atividades econômicas, como a expectativa da mineração nas férteis terras do cacau, que sempre se orgulharam da convivência em plena harmonia com um meio ambiente saudável.

Restou para os médios e grandes, em torno de mil, uma dívida de quase R$ 1 bilhão, a maior parte dela, contraída justamente para combater a praga, a partir de orientações da Ceplac.

O advogado Carlos Amado, um dos depoentes do filme, sempre disse que o Estado é quem deve. Não se pode cobrar quando a dívida foi contraída por indução oficial de que era o caminho para livrar-se do mal.

Aguido Muniz, do Instituto Pensar Cacau, despreza a expressão 'perdão da dívida', bordão que era a chave dos discursos dos produtores endividados.

- O que nós queremos é indenização.

Provavelmente o governo jamais vai reconhecer o ato terrorista. Se o fizer, estará colocando nas mãos um pepino gigantesco. O filme de Dílson Araújo faz alusões a atentados como o do Word Trade Center, nos EUA, em setembro de 2001, para estabelecer um comparativo em termos trágicos.

Mas o cacau, que já foi a mola da economia baiana, está tão empobrecido quanto esquecido. O PAC do Cacau, lançado por Lula com festas e pompas em Ilhéus, foi uma ópera bufa. Não convenceu, não emplacou.

Até para divulgar o filme Dílson Araújo tem dificuldades. O público alvo é de falidos que luta contra um inimigo poderoso. Os petistas, eventualmente acusados de serem os autores do atentado e de fato suspeitos suspeitíssimos, agora estão no poder.

Por Levi Vasconcelos_Bahia 247