quinta-feira, 10 de maio de 2012

Entenda quem são os personagens envolvidos no caso Celso Daniel

Fundador do PT, o ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, foi encontrado morto com oito tiros em uma estrada de Juquitiba, cidade da Região Metropolitana de São Paulo, em 18 de janeiro de 2002. O corpo dele estava desfigurado. A maioria dos tiros foram disparados no rosto.
O inquérito sobre a morte do petista determinou o indiciamento de oito pessoas, além de levantar suspeitas sobre políticos hoje de alta patente da política nacional. Conheça alguns dos personagens principais deste caso, que ganhou repercussão nacional em virtude das suspeitas de corrupção na prefeitura de Santo André.


Sérgio Gomes da Silva
Apelido: Sombra
O empresário é apontado pelo Ministério Público como o suposto mandante da morte de Celso Daniel. No dia do seqüestro do ex-prefeito de Santo André, os dois saíam de uma churrascaria do bairro dos Jardins, zona Sul de São Paulo. Sérgio dirigia a Pajero blindada de Celso Daniel no momento em que foram abordados pelos criminosos que seqüestraram o petista. Em depoimento à Polícia Civil, Gomes conta que perseguiu os criminosos pelas ruas da cidade após o seqüestro. Houve troca de tiros, vários deles atingiram o carro que o empresário dirigia.

Para o Ministério Público, no entanto, a perseguição não passou de uma armação para encobrir o crime. Segundo a promotoria, Gomes seria o responsável pela contratação de Dionísio de Aquino Severo, o líder do bando que seqüestrou o ex-prefeito de Santo André. O empresário e amigo de Celso Daniel teria combinado com os criminosos o caminho que faria naquela noite, informando, inclusive, o calibre das armas que poderiam ser usadas contra o carro sem dano a ele. A promotoria sustenta que o crime teria sido encomendado depois que Celso Daniel ameaçou denunciar o esquema de corrupção que se apoderou da administração pública de Santo André.

De acordo com o MP, Sombra seria o elo de ligação com o esquema de corrupção instaurado na administração da cidade. A tese é negada pela Polícia Civil, que concluiu que o assassinato foi um crime comum. Sérgio Gomes da Silva aguarda o julgamento em liberdade desde 2004.


Dionísio de Aquino Severo
Dionísio era considerado pela Polícia o líder da quadrilha que seqüestrou e matou Celso Daniel. O acusado foi preso em 2002, mas conseguiu fugir do presídio de Guarulhos com a ajuda de um helicóptero, numa fuga considerada cinematográfica. Após ser recapturado em Alagoas, o acusado foi preso no Cadeião de Belém, na Zona Leste, onde foi assassinado dois dias depois da prisão.


O inquérito sobre a morte apontou que o suspeito foi assassinado porque integrava o CRDB (Comando Revolucionário Democrático Brasileiro), facção criminosa adversária do predominante PCC (Primeiro Comando da Capital), que domina os presídios paulistas. Dionísio era apontado pelo Ministério Público como a pessoa que recrutou os vários envolvidos na morte do ex-prefeito, inclusive o suspeito que será julgado nesta quinta-feira. A morte de Dionísio impediu o indiciamento dele.


 












Marcos Roberto Bispo dos Santos
Apelido: Marquinhos
Após ficar oito anos em preso por suspeita da participação no caso, Marcos Roberto Bispo dos Santos, de 37 anos, é apontado pela Promotoria como sendo o motorista de um dos três carros que participaram do seqüestro do ex-prefeito de Santo André. Após a prisão em 2002, ele confessou à polícia participação no crime.
A confissão aconteceu na sede do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), em São Paulo, e está sendo contestada pela defesa. O advogado de defesa alega que o cliente foi vítima de tortura. A Promotoria quer enquadrar o acusado no crime de homicídio triplamente qualificado, cuja pela mínima é de 12 anos e a máxima de 30 anos.



 
Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira
Apelido: Bozinho
Rodolfo também confessou a Polícia Civil ser um dos executores de Celso Daniel. Em juízo, porém, Bozinho mudou a versão e disse que foi torturado pelos policiais e obrigado a confessar um crime que não cometeu. Em 2006, contudo, Oliveira fugiu da penitenciária de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, e só foi recapturado no ano seguinte.
Na versão do MP, ele também é apontado como a pessoa que cercou o carro de Celso Daniel e retirou o ex-prefeito do carro. Ao fugir da penitenciária em 2006, Bozinho também foi acusado de envolvimento na morte do agente de escolta e vigilância penitenciária Genivaldo Lourenço da Silva, baleado durante a ação. Oliveira foi apontado também pelo irmão de ser o autor dos disparos.



José Edson da Silva
Apelido: Zé Edson
Apontado por dois acusados como o mandante dos disparos contra Celso Daniel, José Edson da Silva, o Zé Edson, ficou preso até abril de 2010. Ele também foi arrolado no inquérito da morte do ex-prefeito de Santo André. O juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, da 1º Vara Criminal de Itapecerica da Serra, decidiu que ele e os outros sete acusados irão a júri popular.

Com exceção de Marcos Roberto Bispo dos Santos, todos eles recorrem ao TJ para tentar reverter a decisão do juiz. Por conta das várias etapas em que podem recorrer no TJ, o julgamento deles só deve ocorrer em 2012.






Ivan Rodrigues da Silva
Apelido: Monstro
O inquérito da Polícia Civil de São Paulo que investigou a morte de Celso Daniel apontou que o assassinato do ex-prefeito foi um crime comum praticado por uma quadrilha que atuava na favela Pantanal, em São Paulo. Na versão da polícia, a quadrilha era comandada por Ivan Rodrigues da Silva e Itamar Messias dos Santos. A hipótese levantada é que o crime foi cometido por conta de uma suposta tentativa de seqüestro frustrada.

Após descobrirem a identidade real do ex-prefeito, os criminosos teriam assassinado o ex-prefeito. Em depoimento À CPI dos Bingos, em 2005, “Monstro” afirmou que o ex-prefeito foi seqüestrado por ocupar um carro importado depois da frustrada perseguição a uma Dakota, na mesma noite de 18 de janeiro. Ele aguarda julgamento preso, mas recorreu da decisão do juiz de Itapecerica de Serra de enviar o processo dele a júri popular, protelando a data do julgamento com outros seis acusados pelo crime cometido em janeiro de de 2002.


Elcyd Oliveira Brito
Apelido: John
Segundo o MP, Elcyd seria o autor de uma carta endereçada ao empresário Sérgio Gomes da Silva, o "Sombra", para cobrar o pagamento de R$ 1 milhão pela morte do prefeito. Preso em 2002 pelo crime, Elcyd fugiu do Centro de Progressão Penitenciária de Pacaembu no dia 04 de agosto de 2010 escalando e pulando os dois alambrados que circundavam a penitenciária, junto com outros dois presos. Ele permanece foragido da Justiça.




Itamar Messias Silva dos Santos
Apelido: Olho de Gato
Considerado braço-direito de Monstro, Itamar trabalhava como Office-boy antes de cumprir pena na Cadeia Pública de Diadema até o ano 2000, por furto e porte de drogas. Durante a CPI dos Bingos ele confirmou a tese de crime comum e disse que teria libertado o prefeito de Santo André se soubesse quem ele era.

Laércio dos Santos Nunes
Apelido: Lalo
Com apenas 16 anos na época do crime, Laércio dos Santos Nunes é apontado pela Polícia Civil como um dos autores dos disparos que mataram Celso Daniel. Preso na antiga Febem (hoje Fundação Casa) do Tatuapé na época do crime, ele fugiu da unidade prisional em 2005 e só foi recapturado no ano seguinte, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Após ser preso pela primeira vez, o jovem conhecido como “Lalo” confessou o crime e disse que praticou o ato a mando de José Edson da Silva, um dos líderes do seqüestro, por coação.

Por Rodrigo Rodrigues, iG

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