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terça-feira, 1 de maio de 2012

Ator global amigo de Zé Dirceu usa a PF para apagar desafeto no Twitter

Às vezes a grande tarefa de um portal ou de um think tank é comentar notícias. O que sai na “grande mídia” são as investigações, e o que se busca em um portal são opiniões. Quando as notícias não permitem grandes ilações a respeito de um tema, garantam espaço para uma discussão mais aprofundada sobre um recorte da realidade visto sob outras lentes ou dêem ensejo à explicação de uma teoria política, resta-nos um pormenor não menos importante: fazer piadinha.
É um trabalho esfainante e que exige disciplina, mas não deixa de ser divertido. Costuma ser fácil se o objeto de trabalho são petistas. Hoje apareceu uma TÃO fácil que se tornou paradoxalmente impossível. Qualquer piada a ser feita é de menor desequilíbrio com a realidade do que a própria notícia. 

Essa é de Adriana Vandoni, no Prosa e Política:


José de Abreu, ator global e aparador oficial dos países baixos de José Dirceu, anunciou no twitter que usou a Polícia Federal para caçar e banir do twitter um perfil que não compactuava com suas idéias. E que idéias tem o Abreu! Já comentei aqui com vocês que partiu dele, também pelo twitter, uma campanha para tirar a ministra da Cultura Ana de Holanda. Talvez na esperança de ser ele o indicado. Abreu compactua com todos os ideais golpistas da petralhada virtual, só se cala quando falam de seus patrões na Globo.

Sabe como é né? Idealista prá cacete, pero no mucho.

Reparem, abaixo, nas imagens dos twets as ameaças feitas no dia 19 pelo ator: “a PF já tem o endereço dela”. “Todos os tuites dela estão sendo monitorados”. “vc esta identificada (o) e vai ser processada (o) por danos morais e criminalmente. Prepare o bolso”. “Aguarde visita da Policia dentro de alguns dias”.

Só para lembrar, quem usa Polícia e não a Justiça em questões judiciais é fascista. Caso ele queira processar desafeto, é um direito que a democracia lhe reserva, mas usar polícia é fascismo. José de Abreu está usando a polícia como se fosse sua stasi.
No dia seguinte ele conta (imagem abaixo): “consegui tirar a missa copa”. Perguntado como conseguiu: “Polícia Civil e Federal”.

O grande desafeto de José de Abreu é uma moça que já deu a honra da sua presença vez ou outra pelos comentários desse site. 

Infelizmente, seu perfil já foi apagado, mas ficam os préstimos de nosso tributo. 

E o José de Abreu… bem, é um desses homens que curtem uma distribuição de renda, e são famosos por isso. 

Ser famoso costuma render uma boa grana. Um negócio bem interessante no Brasil hoje é ficar famoso defendendo os pobres. 

Não precisa fazer nada, só defender. 

É aquele paradoxo de ser o maior adversário da “mídia golpista”, contrário ao “PiG”, justamente por ter contatos lá dentro, uma coluna num jornal ou outro.

E é bom ser um defensor dos pobres lá de cima, sem precisar vencer o nojo de chegar perto deles. 

Dá até pra dar uma voltinha pela Ilha de Caras por aí. Vejam que maravilha.

Não, vejam mais de perto!



Por Flavio Morgenstern, redator, tradutor e analista de mídia. Só persegue seus desafetos com argumentos, e eles sempre fogem espavoridos. Está profundamente traumatizado com esse texto. Não exatamente com o texto. No Twitter, @flaviomorgen


domingo, 24 de outubro de 2010

O mal a evitar

 

 

A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.

Editorial publicado pelo jornal “O Estado de São Paulo” em 25/09/2010 – Original AQUI

domingo, 1 de agosto de 2010

Conselho para as FARC

FARC_e_PT

Se os terroristas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) forem inteligentes, farão exatamente o que os terroristas brasileiros fizeram: se entregam, passam a integrar a democracia colombiana, concorrem e se elegem deputados e senadores, criam uma lei de indenização por perseguição política e, em poucos anos, ganharão altos cargos no governo com aposentadorias e indenizações milionárias.