Carvalho disse que o prefeito de Santo André pretendia tomar providências sobre os desvios na prefeitura e já havia confidenciado isso à sua família. Afirmou que Celso Daniel sabia que o dinheiro era desviado, “só não concordava com o desvio para gastos pessoais”. “Naquela época, o contexto era a eleição de um presidente da República que ficou oito anos no poder e cuja campanha foi financiada por aquele esquema”, disse o promotor. Em 2002, ano da vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso ia ser coordenador de campanha.
O promotor também ironizou os argumentos dos réus que disseram ter confessado o crime sob tortura e afirmou que o cruzamento de dados telefônicos contradiz os argumentos dos acusados. Disse ainda que Dionísio de Aquino Severo, apontado como líder do bando que sequestrou o ex-prefeito de Santo André, é quem liga a quadrilha do Pantanal ao ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime.
Depoimento dos réus
Ivan Rodrigues da Silva foi o primeiro a falar. O interrogatório durou menos de meia hora. Ele negou participação no crime e disse que não conhece o ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime, nem Dionísio de Aquino Severo, apontado como líder do bando que sequestrou o ex-prefeito de Santo André. “Eu não matei ninguém. Estão falando desse Sombra e eu não sei nem que é esse senhor”, afirmou Rodrigues da Silva.
O segundo a falar foi José Edson da Silva em interrogatório que durou pouco mais de 15 minutos. Assim como o primeiro, negou conhecer os outros acusados e ter participado do crime. Disse que estava na Bahia quando Celso Daniel foi morto e também disse que não faz parte do PCC (Primeiro Comando da Capital). “Não é verdade, não sei por que sou acusado”, disse Edson da Silva.
Na sua vez, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o terceiro e último réu a falar, também negou envolvimento no crime e disse que não conhece nem Dionísio nem Sombra. Oliveira afirmou, assim como os outros três, que a confissão de crime que faz parte dos autos foi obtida sob tortura.
Dez anos após o crime, apenas um dos acusados foi julgado. Marcos Roberto Bispo dos Santos, que dirigia a Santana durante o sequestro, foi condenado a 18 anos de prisão em 2010.
Por Bruna Carvalho
Nenhum comentário:
Postar um comentário