O ex-procurador-geral
da República Antonio Fernando de Souza afirmou, em entrevista à Agência Estado,
que a Polícia Federal foi quem pediu para segurar a investigação da Operação
Vegas em 2009.
Na terça-feira, o delegado Raul Alexandre Marques Sousa disse,
em sessão reservada da CPI do Cachoeira, que a apuração foi parada no momento
em que apareceram conversas do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos
Cachoeira, com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e os deputados Sandes
Junior (PP-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO).
A investigação foi
enviada ao atual procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em setembro de
2009. A mulher de Gurgel, a subprocuradora Cláudia Sampaio, foi designada por
ele para avaliar o caso. Ela considerou na ocasião que não havia indícios
suficientes para que sugerisse ao marido pedir a abertura de investigação contra
esses parlamentares no Supremo Tribunal Federal (STF).
Antonio Fernando, que
deixara a chefia do MP em julho daquele ano, telefonou recentemente para
Cláudia para saber dela se a investigação da Operação Vegas chegou ainda na
gestão dele. A subprocuradora disse-lhe que não, mas detalhou a ele que foi a
PF que pediu que a apuração não fosse encerrada. "A deliberação seria pelo
arquivamento", afirmou.
O ex-chefe do MP
classificou como uma "bobagem" a discussão que está sendo travada em
relação ao caso. "Nada foi feito para postergar a investigação. O objetivo
é fazer uma investigação que dê resultado. E a apuração deu. Se fosse arquivado
lá atrás, nada teria sido revelado", disse. Ele ressaltou que Gurgel tem
suas "razões de conveniência" para abrir uma investigação ou não e
que não há nada de "ilegal" na decisão.
Ele saiu em defesa do
trabalho de Cláudia, chamando-a de profissional "competente" e
"dedicada".
"É uma das pessoas mais preparadas da área criminal
no Ministério Público Federal", afirmou.
Autor da denúncia do
mensalão, Antonio Fernando não quis comentar se as críticas à atuação de
Cláudia e de Gurgel tem relação com o julgamento do escândalo pelo STF, que
deve ocorrer ainda este ano. "Não posso fazer essa avaliação. Eu estou
aposentado. Mas as declarações do procurador-geral da República, Roberto
Gurgel, falam por si", disse.Por Ricardo Brito, OESP
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