A pedido do ex-presidente Lula, a presidente Dilma Rousseff tentava
fechar ontem, antes do Dia do Trabalho, o nome do novo ministro do
Trabalho e um projeto isentando de Imposto de Renda os pagamentos a
título de participação nos lucros.
Lula e Dilma trataram dos dois temas no almoço que tiveram na última
quarta, no Palácio da Alvorada. Eles avaliaram que seria negativo para o
governo passar o Primeiro de Maio com um ministro interino.
Interlocutores do governo garantem que, até terça, a pasta terá um
titular.
A preferência de Dilma para ocupar o posto que foi de Carlos Lupi
(PDT-RJ) recai sobre o deputado Brizola Neto (PDT-RJ), mas seu nome
esbarra na resistência de pedetistas. Mas ela só convidará o aliado após
conversar com Lupi, dirigente do partido.
No caso da tributação dos lucros e dividendos distribuídos aos
trabalhadores, demanda do setor sindical, há um impasse em torno do
valor a partir do qual não incidiria a cobrança de IR.
As centrais sindicais pedem que fiquem isentos valores até R$ 20 mil,
número tido como alto pela equipe econômica. O governo acena com isenção
até R$ 6.000.
Para o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), da Força Sindical, esse
valor é muito baixo e a tributação ficaria alta para a grande maioria
dos trabalhadores: "Em média os bancários receberam de PLR (Participação
nos Lucros e resultados) R$ 11 mil, as montadoras pagaram entre R$ 10
mil e R$ 12 mil".
Segundo ele, o governo, as centrais e o Congresso vão discutir o tema. "Estamos encaminhando para um entendimento".
A Folha apurou, porém, que a decisão ser baixada por medida
provisória em virtude do calendário apertado. A medida será apresentada
pela presidente em reunião na próxima quarta-feira.
Dilma não deve participar das comemorações do Dia dos Trabalho em São
Paulo, na terça. Enviará Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) em seu
lugar e fará pronunciamento em rede nacional de rádio e TV.
Por Valdo Cruz, Natuza Nery e Sheila D'Amorim
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