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domingo, 13 de maio de 2012

Um retrato da miséria paulista

Um estudo inédito realizado entre 200 mil domicílios nos 100 municípios com o menor índice de desenvolvimento humano de São Paulo fez uma descoberta reveladora: metade das 8,5 mil famílias dessas cidades que vivem abaixo da linha da miséria (aquelas com renda inferior a R$ 70) sequer estão computadas nos bancos de dados dos programas de assistência social dos governos estadual e federal.

O diagnóstico, chamado Retrato Social, foi realizado pelo próprio governo de São Paulo e servirá para dimensionar políticas públicas específicas para atender essas famílias em suas principais privações.

Um total de 33% delas é considerada, segundo a metodologia utilizada na pesquisa, multidimensionalmente pobre.

Traduzindo: além da baixa renda, todas elas tem dificuldades de acesso a itens básicos como educação, saneamento básico, eletricidade, saúde, gás de cozinha, pavimento, bens domésticos, água e emprego.

Agora, elas deverão ser inseridas em um programa que será lançado na próxima semana pelo governo do estado, o São Paulo Solidário

sábado, 28 de abril de 2012

A privatização da democracia brasileira


Interessa à população de São Paulo ceder um terreno público localizado no mais importante polo cultural da cidade ao Instituto Lula, cuja missão é cuidar do acervo histórico da gestão do ex-presidente e divulgar as suas realizações? Parece-me claro que não. O único beneficiado com essa transação será o PT e seu projeto de poder.

O projeto de lei 29/2012, do Poder Executivo, em tramitação na Câmara dos Vereadores, autoriza a concessão, sem concorrência, por 99 anos, de uma área pública na região central ao Instituto Lula.
São 4.300 m2, estimamos pelo mercado em até R$ 20 milhões, em uma região que começa a passar por intenso processo de requalificação. O projeto de lei nem sequer exige contrapartidas, à exceção da exigência de se abrir o espaço à visitação de escolas públicas.

Segundo o texto, no local será erguido um Memorial da Democracia, um museu para "dar visibilidade pública à cultura política democrática". Mais adiante no mesmo texto, é possível entender melhor o que se entende por isso: nele será disponibilizado "todo o acervo documental referente aos oito anos de mandato do presidente Lula".

Curioso e preocupante que justo o PT se arrogue o direito de portar a memória democrática do país.
Lembremos que esse é o partido que: expulsou seus deputados que votaram em Tancredo Neves; recusou-se a assinar a Constituição, marco da redemocratização, em 1988; e combateu duramente duas das maiores conquistas da nossa história recente, a estabilidade monetária e a austeridade fiscal, chegando ao ponto de ir à Justiça contra o Plano Real, em 1994, e contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2001.

O PT nunca fez uma autocrítica oficial quanto à sua posição nesses momentos cruciais do nosso amadurecimento democrático. Será que podemos confiar a ele o papel de guardião da memória coletiva de momentos como esses?

Tudo indica que estamos diante de uma privatização, não só de um terreno, mas da própria democracia brasileira. Afinal, é da natureza do PT apostar na confusão entre o público e o privado para fortalecer seu projeto de hegemonia no país.

Que melhor forma de fazê-lo do que garantir um espaço -e com dinheiro público- onde possam transmitir aos alunos de escolas públicas a doutrina petista segundo a qual a história do Brasil começa em 2003?

Quem sabe no portão de entrada do futuro museu algum companheiro se lembre de inscrever as palavras "nunca antes nesse país"...

O Instituto Lula pode não ter fins lucrativos, mas tem fins políticos bem claros. Não podemos esquecer que Lula continua extremamente ativo na política nacional e municipal. Já declarou que se envolverá de cabeça na campanha desse ano.

Que ninguém se engane: ceder esse terreno equivale, na prática, a doar o dinheiro dos contribuintes paulistanos para um partido político cuja prioridade número um é reconquistar a prefeitura da cidade.
São Paulo merece sim um Memorial da Democracia digno do nome.

Um museu que registre as conquistas do povo brasileiro na luta contra o autoritarismo, que faça justiça à memória de líderes como Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso e do próprio Lula.

Essa seria sim uma destinação nobre ao terreno. É evidente, entretanto, que esse é um empreendimento que só pode ser implementado e administrado por uma organização tecnicamente qualificada, isenta e apartidária, não por um partido político, para que reescreva a história do Brasil à sua maneira.

Estaríamos dando alguns passos atrás na consolidação de nossa combalida democracia.

Por Floriano Pesaro

sábado, 21 de abril de 2012

Manifestantes contra corrupção em SP entram em confronto com PM

A Polícia Militar atirou bombas de efeito moral para dispersar manifestantes contra a corrupção concentrados na Avenida Paulista em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) por volta das 18h20 deste sábado (21). A ação buscou liberar a avenida para o tráfego. Os manifestantes correram para o vão do Masp. A confusão ocorreu no momento em que a manifestação já estava próxima do fim. O trânsito foi liberado por volta das 19h.

- Manifestante entram em confronto com a Polícia Militar durante a Marcha Contra a Corrupção, neste sábado (21), na região da Avenida Paulista, no centro de São Paulo (Foto: Marcio Fernandes/Agência Estado/AE) 
 
A PM de São Paulo mais uma vez, dá um show de despreparo. (Foto: Marcio Fernandes/Agência Estado/AE)
 
Iniciado perto das 16h30, o protesto contra a corrupção começou em frente ao museu, na pista sentido Consolação. Os manifestantes se alinharam para formar a expressão "SOS STF", uma mensagem endereçada ao Supremo Tribunal Federal, para que seja agilizado o processo de julgamento do mensalão. Depois disso, a manifestação saiu do Masp até a Rua Bela Cintra, na Consolação, e de lá voltou no sentido Paraíso.



O grupo havia combinado seguir no sentido Paraíso até a Brigadeiro Luís Antônio , onde a manifestação terminaria. Em vez disso, os manifestantes pararam em frente ao Masp e decidiram ocupar todas as faixas no sentido Paraíso. Eles resistiram à abordagem da polícia.
O tenente Adriano de Souza Fernandes afirma que duas pessoas foram detidas porque jogaram pedaços de pau e garrafas contra a polícia. Ele atuou em conjunto com 120 homens para dispersar o grupo.
Bombas de gás lacrimogênio são jogadas na Avenida Paulista  (Foto: Marcio Fernandes/Agência Estado/AE) 
 
Bombas de gás lacrimogênio são jogadas na Avenida Paulista (Foto: Marcio Fernandes/Agência Estado/AE)
 
"Tentamos negociar com as lideranças que se comprometarm a dispesar a movimentação, mas não adiantou. Consultamos o comando e eles nos disseram para usar as medidas necessárias. Não houve excesso da polícia", afirmou. Segundo o tenente, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) passou a informação de que havia naquele momento 20 km de congestionamento provocado pelo protesto.

Manifestantes de vários estados brasileiros organizam protestos neste sábado contra a corrupção na política. Os grupos se organizaram para as marchas pelas redes sociais e pedem também o fim do foro privilegiado para parlamentares, a reversão de aumentos de salários de vereadores e a obrigatoriedade de ficha limpa para candidatos a cargos eletivos. Os organizadores do movimento estimam que cerca de 80 cidades promovam protestos neste sábado.
A Polícia Militar de São Paulo afirma que o protesto reuniu cerca de 800 pessoas. Os dez grupos que lideram a manifestação estimam a participação entre 2 mil e 2,5 mil pessoas.

"Nós estamos priorizando o julgamento já do mensalão no STF, mas também queremos que a corrupção seja transformada em crime hediondo, o fim do foro privilegiado e o voto aberto", disse Rose Losacco, representante do movimento "Por uma Nova Política." Enquanto caminham, os manifestantes repetem bordões: "Não à corrupção, eu quero meu dinheiro para saúde e educação" e "você aí parado também está sendo roubado."

Por Anay Cury Do G1, em SP

domingo, 25 de março de 2012

O sofisma da "guerra dos portos"

Enquanto a indústria de São Paulo ataca a descentralização da importação, incentivos fiscais nos portos melhoram o IDH e geram emprego em Estados mais pobres

A indústria paulista retoma de forma equivocada um tema que já ficou no passado: o protecionismo.

A descentralização das importações, motivada em parte por programas de incentivos a atividades portuárias, vem sendo apontada como a razão de grande parte dos males enfrentados por empresários e trabalhadores.

De modo geral, os argumentos que têm sido apresentados pela indústria carecem de fundamento técnico e omitem os números oficiais que demonstram a realidade da importação brasileira.

Como se trata de uma questão referente ao comportamento das importações estaduais, é fundamental registrar que no Brasil o grande importador continua sendo exatamente o Estado de São Paulo.

Em 2011, São Paulo importou US$ 82 bilhões -o Rio de Janeiro, segundo colocado, só comprou US$ 19 bilhões. A grande maioria dos Estados realizou só importações residuais.

As importações de São Paulo foram fortemente pressionadas pela indústria paulista, que tanto se queixa dos demais Estados.

Em São Paulo, as importações de insumos destinados à indústria cresceram 41% em 2011, enquanto as compras de bens de consumo cresceram 12%. As importações da própria indústria cresceram quatro vezes mais do que as destinadas aos consumidores paulistas, os de maior poder aquisitivo do país.

As estatísticas provam que não existe a propalada avalanche de importações.

Em 2011, o Brasil importou US$ 226 bilhões, com crescimento (24,5%) inferior ao das exportações (26,8%). A grande maioria das importações (82,3%) se destina ao processamento industrial, principalmente máquinas, equipamentos, insumos e petróleo. São produtos que complementam a produção brasileira, não que substituem. As compras de bens de consumo corresponderam a apenas 17% do total.

O argumento da não geração de empregos no país por conta das importações não encontra respaldo nas estatísticas. Temos hoje uma das mais baixas taxas de desemprego da nossa história, cerca de 6,5%.

O caminho para que a indústria seja mais eficiente e possa concorrer com os importados não é a volta do protecionismo.

Os verdadeiros problemas são conhecidos: câmbio sobrevalorizado, juros muito altos, infraestrutura deficitária, custo de energia elevado, impostos exagerados e encargos onerosos na folha de pagamento.

São problemas de grandes dimensões, mas é muito injusto que sejam colocados lado a lado com os incentivos dos Estados.

Os programas de incentivos a atividades portuárias não provocam crescimento das importações, como demonstram estudos. Eles permitem descentralização das operações, com grandes benefícios para Estados mais pobres, inclusive aumento do IDH e geração de empregos.

Foi graças ao processo de descentralização do comércio exterior, inclusive das exportações, que o Brasil obteve superavit comercial expressivo no primeiro ano do governo Dilma, US$ 30 bilhões.

Esse valor recorde só foi alcançado devido ao desempenho altamente superavitário dos muitos outros Estados brasileiros, que chegou a US$ 52 bilhões e neutralizou o déficit de US$ 22 bilhões de São Paulo, decorrente da pressão importadora da indústria paulista.

IVAN RAMALHO, 62, economista, é presidente da Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior (Abece)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Da série: Perguntar não ofende

 

PT_PCC

Será que só fui que reparei??

Mas é sempre em época de eleição que acontecem estes ataques espetaculosos contra a polícia em São Paulo.

Acho que não deve ser nada, deve ser apenas “coincidência”…

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Em São Paulo, Alckmin leva no primeiro turno

 

Pesquisa revela que o ex-governador Geraldo Alckmin já pode preparar o terno de posse.

Com 50% das intenções de voto, Geraldo Alckmin pode garantir a eleição ao governo de São Paulo já no primeiro turno, visto que os demais candidatos juntos não alcançam 30%.

Sendo assim, São Paulo completará 20 anos sendo comandado pelo PSDB, enquanto Geraldo Alckmin chegará a quase 10 anos de poder.