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domingo, 13 de maio de 2012

Um retrato da miséria paulista

Um estudo inédito realizado entre 200 mil domicílios nos 100 municípios com o menor índice de desenvolvimento humano de São Paulo fez uma descoberta reveladora: metade das 8,5 mil famílias dessas cidades que vivem abaixo da linha da miséria (aquelas com renda inferior a R$ 70) sequer estão computadas nos bancos de dados dos programas de assistência social dos governos estadual e federal.

O diagnóstico, chamado Retrato Social, foi realizado pelo próprio governo de São Paulo e servirá para dimensionar políticas públicas específicas para atender essas famílias em suas principais privações.

Um total de 33% delas é considerada, segundo a metodologia utilizada na pesquisa, multidimensionalmente pobre.

Traduzindo: além da baixa renda, todas elas tem dificuldades de acesso a itens básicos como educação, saneamento básico, eletricidade, saúde, gás de cozinha, pavimento, bens domésticos, água e emprego.

Agora, elas deverão ser inseridas em um programa que será lançado na próxima semana pelo governo do estado, o São Paulo Solidário

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Bolsa Família é pra que mesmo?

 

 

A candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT), foi a candidata mais votada nos municípios com o benefício do programa Bolsa Família, principal projeto do governo Lula.

Ela saiu na frente em 147 das 150 cidades com maior atendimento da ação, que dá assistência financeira à pessoas  mais carentes. 

A votação média de Dilma nessas localidades foi de 78,5%, superior aos 46,9% que obteve no geral.

José Serra teve média de 15,7% (contra 32,6% na votação nacional), e Marina Silva (PV), 5,8% (ante 19,4%).

sábado, 25 de setembro de 2010

O Meu País por Zé Ramalho

Na voz de Zé Ramalho, uma letra atualíssima



O Meu País

Livardo Alves - Orlando Tejo - Gilvan Chaves

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram - se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país

Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país

Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio - x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura
Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que dizima sua flora
Ensejando o avanço do deserto
Pois não salva o riacho descoberto
Que no leito precário se estertora
Um país que cantou e hoje chora
Pelo bico do último concriz
Que florestas destrói pela raiz
E a grileiros de fora entrega o chão
Pode ser que ainda seja uma nação
Mas não é, com certeza, o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo