Denúncias de cobrança de propina para a emissão de licenças
ambientais em Santo André, município da Grande São Paulo circundado por
administrações petistas e hoje nas mãos de um aliado do governador
Geraldo Alckmin (PSDB), jogaram água na formação de uma frente anti-PT
para as eleições municipais deste ano.
O prefeito Aidan Ravin (PTB) é suspeito de armar um suposto esquema
no Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa)
para extorquir construtoras interessadas na obtenção de licenças
ambientais, documento necessário para iniciar obras na cidade.
A denúncia é investigada por uma Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) na Câmara Municipal e o relatório final será apresentado em 4 de
junho, às vésperas das convenções partidárias que definem os candidatos à
sucessão municipal. Ravin, que pretende disputar a reeleição, contava
com o apoio do PSDB, DEM, PSD e PV já no primeiro turno, mas tem visto
seu arco de alianças minguar à medida que a CPI e um inquérito aberto
pela Polícia Civil avançam.
O caso veio à tona em março, com a denúncia do ex-diretor de gestão
ambiental da Semasa, Roberto Tokuzumi, então um funcionário de confiança
da prefeitura de Santo André. Responsável por assinar as licenças
ambientais expedidas pelo órgão, Tokuzumi disse à CPI que estava sendo
perseguido por não concordar com a venda de licenças e apontou o
advogado Calixto Antônio Jr como operador do esquema.
Em depoimento à CPI, Calixto, que não é servidor da Semasa, admitiu
que dava expediente diariamente na autarquia a pedido do próprio
prefeito e confirmou o esquema de extorsão de empresas, mediante
propinas de até R$ 300 mil por licença ambiental. Mas negou ter recebido
recursos provenientes da fraude.
Por Bruno Lupion, OESP
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