Tabuleiro
O Palácio do Planalto calcula que o desgaste causado ao governador do
Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), pela profusão de imagens mostrando
sua intimidade com o empresário Fernando Cavendish, presidente
licenciado da Delta, terá pelo menos um efeito imediato: o PMDB será
forçado a rever sua posição de distanciamento da CPI do Cachoeira.
A tendência é que a legenda, a despeito da avaliação que Cabral faz política fora do partido, antecipe a montagem do seu "primeiro time" na CPI, indicando senadores experientes e com trânsito na oposição para as vagas que deixou em aberto à espera de incêndios.
Memória
Em tempo: peemedebistas lembram que Cabral se recusou a dividir espaço com figurões da sigla na propaganda de TV.
Meia-noite...
Quem segue as atualizações diárias do álbum de fotos da viagem de Sérgio Cabral à França, via blog de Anthony Garotinho (PR-RJ), identificou na chamada "turma do guardanapo" o investidor do mercado financeiro Georges Sadala.
...em Paris
Além da ligação com Cabral, Sadala é próximo do senador mineiro Aécio Neves (PSDB), que foi seu padrinho de casamento.
Férias
Enquanto a crise Delta/Cachoeira ronda o Rio, o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, voltava na terça-feira em classe executiva de Roma. A passagem de ida e volta da Alitália custa R$ 15 mil, pouco menos que seu salário de R$ 16,5 mil mensais.
Veja bem
A assessoria de Pezão afirmou que ele tem renda para bancar as passagens e que o seu 1,90 metro de altura torna "extremamente desconfortável" viajar em classe econômica.
Camelô
Do deputado Sílvio Costa (PTB-PE), membro da CPI, sobre o rol de atividades descobertas de Carlinhos Cachoeira: "Era um shopping center, o produto que quisesse ele tinha para vender".
Alvo...
Na Câmara, partidos da base do governo pretendem acelerar pelo menos um caso entre os deputados enrolados no Cachoeiragate, o do tucano Carlos Alberto Lereia (GO). O argumento é que as escutas da Polícia Federal mostram que ele teria usado a estrutura da Câmara em favor do esquema do grupo de Carlinhos Cachoeira.
...preferencial
Segundo a PF, Lereia usou o então cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores para agilizar vistos internacionais para o empresário.
Arsenal
Além de negociatas diversas, o sargento aposentado Idalberto de Araújo, o Dadá, aparece nas escutas da PF providenciando a compra de armas. "Quero pegar na segunda aquele ferro lá contigo. [sic] Dá uma limpeza, que vou ver com o pessoal se eles têm munição de [pistola] 380", afirma.
Escalação 1
Sondado pelo novo ministro Brizola Neto, José Feijóo, da CUT, assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência, não foi liberado pelo Planalto para ocupar a secretaria-executiva do Ministério do Trabalho.
Escalação 2
O governo não quer abrir mão de Feijóo, que se transformou em interlocutor do movimento sindical após a morte do secretário de Recursos Humanos do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira, em janeiro.
Cartas na mesa Com a devolução do Ministério do Trabalho para o PDT, uma ala do PT já colocou na praça o discurso de que é hora de reabrir negociações para os aliados apoiarem Fernando Haddad à prefeitura paulistana.
TIROTEIO
DO EX-PREFEITO DO RIO CESAR MAIA (DEM), sobre as fotos do governador
Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e seus secretários na França com Fernando
Cavendish, presidente licenciado da Delta, empresa investigada no caso
Cachoeira.
CONTRAPONTO
Bipolar
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) queixava-se durante a sessão de estreia
da CPI do Cachoeira, na semana passada, que a oposição deveria ficar com
um dos postos de comando da comissão, quando foi interrompido pelo
deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), considerado "independente", apesar de
integrar a base governista.
-Não será uma CPI de governo versus oposição, vamos trabalhar juntos e nos unir!, bradou o pedetista.
O tucano não resistiu, para gargalhada dos colegas:
-É que o seu perfil é de oposição Miro...
Por Vera Magalhães, com Silvio Navarro e Andréia Sadi
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