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sexta-feira, 20 de abril de 2012

TCE diz que ALBA é responsável por atraso no julgamento das contas






Durante a tarde desta quinta-feira (19), a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) ficou vazia. Nos bastidores da ALBA o que ainda repercute são as declarações do corregedor do TCE, Manoel Castro, onde disse que a assembleia não entrega os documentos necessários para julgar as contas dos deputados, o que não ocorre desde 2007.

O presidente da Assembleia, Marcelo Nilo, diz que tudo o que foi pedido foi entregue. O deputado também falou sobre o controle de gastos da assembleia. Ele diz que existe uma comissão interna. “São oito auditores concursados e independentes que constantemente estão analisando as contas da ALBA”.

Sobre a Operação Detalhes, que tem o objetivo de desmontar um esquema de desvio de recursos públicos por meio de assessores parlamentares "fantasmas" do deputado Roberto Carlos Almeida Leal (PDT) na ALBA, o presidente diz que não foi informado pela PF. “Até o momento eu não recebi nenhuma informação da Polícia Federal. Eu só posso tomar alguma providência com os autos, com informação concreta, aí sim eu agirei como o presidente do poder como gestor”, garante.

Enquanto o TCE não julga nenhuma conta desde 2007, a ALBA vai tocando seus gastos sem nenhuma fiscalização externa.
 
Entenda o caso
Os conselheiros do Tribunal de Contas da Bahia (TCE), responsáveis por analisar e julgar o orçamento dos órgãos públicos do estado, têm até um ano depois do fim de cada exercício para apresentar o relatório. A regra está inserida na Lei Orgânica do TCA, datada de 1991. No entanto, atualmente acumulam-se gastos de mais de R$ 300 milhões anuais sem controle externo. O valor do orçamento da Assembleia Legislativa previsto para 2012 é de R$ 351 milhões.
Cada deputado tem à disposição a verba de gabinete, ao custo público de R$ 60 mil por mês, destinado para a contratação de funcionários. Essa verba foi alvo de uma denúncia contra o deputado Roberto Carlos, que foi alvo de uma operação da Polícia Federal no mês de abril deste ano, suspeito de contratar oito funcionários fantasmas para o gabinete. O deputado não prestou depoimento sobre o caso e evita falar sobre o assunto.
Segundo o presidente da AL, deputado Marcelo Nilo, verbas de gabinete são de responsabilidade de cada deputado, mas o orçamento total da Casa deveria ter sido analisado e julgado pelo TCE. "É responsabilidade do Tribunal de Contas do Estado. Eles têm acesso a todas as áreas e, a partir desse acesso, dessas informações, desses documentos, eles fazem o relatório", afirmou.
O presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Zilton Rocha, afirma que há cinco anos as contas não são julgadas. Ele disse que a responsalbilidade é de cada relator. "Cada ano que foi prestado conta aqui [no TCE] foi sorteado um relator e as contas estão na mão do relator. Só o relator pode dizer em que estágio se encontra, nesse instante, os processos de prestação de contas... Não existe a possibilidade de se falar em poder de impor", disse.

Por G1 Bahia